E agora, confira em ordem decrescente a lista dos 30 Melhores Discos Internacionais de 2012:

30. Life is Good
Nas
Gravadora: Def Jam
Gênero: Hip Hop
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
O vestido de noiva na capa do álbum entrega a conturbação de Nas após um casamento que não deu certo. Esse foi o mote de inspiração para que o rapper entregasse um de seus melhores trabalhos desde o bombástico Illmatic (1994). Os violinos clássicos que permeiam “A Queen’s Story” e o clima alarmante de “The Don” provam ser possível imbuir nas rimas de Nas batidas ainda pulsantes no hip hop. Foi preciso ‘vinte anos neste jogo’ para que dedicasse uma bela canção aos filhos (“Daughters”) e recorresse à nostalgia (“You Wouldn’t Understand”) para subir mais degraus nessa árdua escalada – tanto musical quanto emocional.
Ouça: “The Don”

29. Spirit Fiction
Ravi Coltrane
Gravadora: Blue Note
Gênero: Jazz
Texto: Resenha do All About Jazz (traduzida para o português)
No sexto trabalho do segundo filho de John Coltrane, a abstração surge como forma definidora de entendimento. Não é a virtuose de cada um que se sobrepõe aqui; e sim a construção de texturas inovadoras e pouco exploradas no jazz. O grande forte é o diálogo entre instrumentos de sopro, seja o sax de Ravi Coltrane vs. o trompete de Ralph Alessi em “Yellow Cat” ou na bela intromissão de Joe Lovano em “Klepto”, com ácida bateria de Eric Harland.
Ouça: “Check Out Time”

28. Shifty Adventures in Nookie Wood
John Cale
Gravadora: Double Six
Gênero: Experimental
Texto: Crítica do Disco Digital
Ex-membro de uma das mais importantes bandas de rock (The Velvet Underground) e versado em música clássica, John Cale desta vez optou olhar para o futuro. Ele mune suas canções de autotunes e até recorre a Danger Mouse na produção de uma faixa: “I Wanna Talk 2 U”. Não é um trabalho acessível, mas não deixa de ser boa lição para beatmakers faixas como “Scotland Yard”, espécie de pop-futurista-irônico, e deparar com o choque entre synths, guitarras e refrões em “Hemingway”, uma colisão prazerosa aos ouvidos. Mais uma prova de que o inquieto John Cale está em fase criativa bem melhor que Lou Reed.
Ouça: “I Wanna Talk 2 U”

27. Black Radio
Robert Glasper Experiment
Gravadora: Blue Note
Gênero: Jazz
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Cheio de participações, Black Radio é quase um disco de hip hop. Ou de R&B. Mas, não, é o jazz fazendo intersecção com os dois gêneros. O pianista Robert Glasper não exercita nenhum dom virtuoso ao convidar nomes como Erykah Badu, Bilal e Lupe Fiasco para participar em canções como “Afro Blue” e “Always Shine” (canção que beira a catarse), que poderiam muito bem se transformar em hits radiofônicos. A faixa-título, que conta com participação de Mos Def, é tão empolgante quanto os melhores hits do The Roots.
Ouça: “Black Radio” (ft. Mos Def)

26. In Our Heads
Hot Chip
Gravadora: EMI
Gênero: Eletropop
Texto: Crítica da +Soma
Música britânica para as pistas. Desde 2000 o Hot Chip faz isso com propriedade e criatividade, apesar de não ter o reconhecimento que merece. Faixas como “How Do You Do” e “Night and Day” poderiam muito bem figurar nas listas de mais ouvidas em qualquer parte do mundo. Por não recorrer à repetição doentia e às batidas supérfluas, o Hot Chip é erroneamente associado a um cenário alternativo que não condiz com o propósito de “Motion Sickness” e “Don’t Deny Your Heart”. Aliás, que mundo precisa de “Gangnam Style” com uma banda de música pop-eletrônica tão boa quanto essa?
Ouça: “Night and Day”

25. Fragrant World
Yeasayer
Gravadora: Secretly Canadian
Gênero: Eletropop
Texto: Crítica do Million Miles of Music (em espanhol)
Um rock feito com improbabilidades sonoras – é mais ou menos isso o som do Yeasayer, que chega ao terceiro disco fazendo uma sonoridade esquizofrênica, que pode ser levada à dança caso o ouvinte se empolgue com os efeitos flutuantes de “Longevity” ou com o experimento chillwave de “Henrietta”. Outra boa canção daqui é “Reagan’s Skeleton”, thriller dançante que dá dicas de como sobreviver a um mundo tomado por zumbis: ‘Não tenha medo dos olhos vermelhos/Tenha medo dos satélites em cima de nossas cabeças’. A contradição? O Yeasayer sugere que façamos isso dançando.
Ouça: “Henrietta”

24. Boys & Girls
Alabama Shakes
Gravadora: ATO Records
Gênero: Rhytm’n Blues
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Brittany Howard é o nome da cantora que lidera uma das novas bandas mais faladas do ano. O som do Alabama Shakes é pura energia: da conhecida “Hold On” ao blues inspirado de “You Ain’t Alone”, o grupo foi feito para os palcos (a boa chance é o Lollapalooza em 2013). Fãs de Janis Joplin e Wanda Jackson podem se esbaldar ao som de “Heartbreaker”, a faixa-título ou “Hang Loose”: quando a música é espirituosa, não dá pra deixar de admirar.
Ouça: “Hold On”

23. Rebirth
Jimmy Cliff
Gravadora: Universal
Gênero: Reggae
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Jimmy Cliff é um dos regueiros mais conhecidos do mundo, mas ronda certa injustiça em sua obra; alguns o acham pop demais, outros o detratavam por sua incapacidade de ser influente de novo. Bom, Rebirth está aí para provar o contrário. Com bela produção de Tim Armstrong (Rancid), o novo disco do jamaicano traz guitarras fritadas (“Bang”), repagina o clássico rocksteady (“Ruby Soho”) e até homenageia um clássico do The Clash (“Guns of Brixton”). Mais uma vez Jimmy nos traz um hit viciante, caso de “One More”, e se mostra fiel às suas origens na poderosa “Rebel Rebel”, com metais a todo vapor.
Ouça: “One More”

22. I Bet On Sky
Dinosaur Jr.
Gravadora: Jagjaguwar
Gênero: Rock
Texto: Resenha no blog O Filho do Blues
O rock não foi reinventado com o retorno de J Mascis, Low Barlow e Murph para o Dinosaur Jr. Mas eles nem precisam disso. A tal fórmula vocais preguiçosos-com-forte-presença-da-guitarra mais uma vez soa eficaz: “Almost Fare” pode ser bem melancólica, mas o solo no minuto final é de lascar a espinha. “Watch the Corners” inevitavelmente nos faz lembrar da era Bug (1988), e na balada “Stick AToe In” J Mascis deixa-se ofuscar pelas guitarras para não se afetar pela triste composição. Ah, e por falar em guitarras, que riff é aquele de “I Know It Oh So Well”, hein!
Ouça: “Watch the Corners”

21. Chances
Illya Kuryaki & the Valderramas
Gravadora: Sony Music
Gênero: Funk/Hip Hop Latino
Texto: Crítica da Rolling Stone Argentina (em espanhol)
Uma fascinante experiência que mostra quanto o funk futurista de George Clinton pode muito bem encontrar o rádio. Mais de dez anos depois de Kuryakistan (2001), o grupo argentino recarregou muito bem as baterias para a entrega de petardos como a eletroespacial “Adelante” e a empolgante “Chica”, cujo clima bombástico liga James Brown aos Orishas. Em parceria com a banda Molotov, o Illya Kuryaki & the Valderramas pega pesado em “Madafaka”, uma espécie de free-metal-jazz com riffs pesadíssimos. Em nenhum momento a banda mostra fraqueza, mesmo na sentimental “Amor”, que teria espaço fácil nas rádios ‘brasileñas’.
Ouça: “Chica”
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