Na Mira do Groove

Escrito por Tiago Ferreira em sábado, julho 12, 2014 Deixe um Comentário 

A turnê de 2012 rememorando o clássico Cabeça Dinossauro (1986) fez um bem danado aos Titãs. Sem o baterista Charles Gavin, o peso de faixas como “Polícia”, “Família” e “Bichos Escrotos” deu um vigor que todos duvidavam que uma banda brasileira dos anos 1980 pudesse recuperar. Cinco anos sem um trabalho de inéditas, Nheengatu é o disco de rock’n roll que todos esperavam que uma banda do porte dos Titãs voltasse a lançar.

Determinar os nichos é crucial quando se fala de Lana Del Rey: as mulheres se identificam (ou não); os homens contemplam (ou não). A diferença é que em Born to Die (2012) a amostra musical de Lana era estritamente pessoal. Não que em Ultraviolence isso tenha mudado: seu semblante é o mesmo e o mundo, para ela, ainda é uma caixinha que acumula sentimentos e decepções.

Não é no fator novidade que está o atrativo do Clipping. Seu estilo noisy magnetiza pela forma séria, mas não tanto assim, servindo de contraponto ao freaky do Death Grips. Sério, barulhento e com seus bons momentos de descontração. Rajadas de harsh noise, sci-fi e técnicas improváveis no disco que supõe abertura (mas não tanto) no som do trio de rap underground.

Com …And Then You Shoot Your Cousin, o grupo fez uso da melancolia inspiradora de undun e explorou arranjos até então inconcebíveis nas explorações da banda. Ao ouvir “Never” (com participação de Party Cash) e “When the People Cheer”, piano e bateria são principais condutores de uma narrativa tão séria quanto o semblante de BlackThought, que desacelera as rimas em busca de uma climatização soul.

Para se chegar a um bom resumo do que representa Black Light Spiral, segundo disco de Jack Dunning, interprete a capa de forma pragmática: o momento exato em que um tijolo espatifa um cofre. É a imagem fragmentária que adquire mil palavras para descrever o disco. Mas não é bem a descrição que vai ajudá-lo na jornada de interpretar o que realmente significa Black Light Spiral. O fator sensorial fica mais aguçado ao desvendar a forma com que Dunning explora o bass e as batidas.

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Os paulistas do Pink Big Balls têm todos os elementos necessários para um rápido acúmulo de fãs: fazem música jovem, bem produzida, tocam bem e tem todo o appeal pop. No sentido ‘certinho’ da coisa, o segundo disco da banda, Janelas, é a materialização do sonho de quem quer viver de música, o passo inicial certo para quem projeta uma carreira prolífica.

Esqueça que o The Afghan Whigs foi uma das mais importantes bandas de rock dos anos 1990. Esqueça que discos como Congregation (1992) e 1965 (1998) abrilhantaram o catálogo da banda que despistou o gênero grunge para abraçar soul, R&B, lisergia e catarse nas interessantes composições de Greg Dulli. Porque, por mais que o passado seja glorioso, ele pode ser pernicioso quando se trata de interpretar o presente. Analisar a produção da banda de Cincinnatti entre 1988 e 1998 é o caminho errado para entender Do to the Beast.