Na Mira do Groove

The Chronicles of Marnia é o diário pessoal que faz referência a um livro que a cantora nunca leu. Portanto, um exercício que já pode ser riscado da lista é: não tente encontrar significados semelhantes às Crônicas de Nárnia. O que temos aqui é uma artista que sentiu a necessidade de despir-se ao mundo e ao meio artístico. Quem não vai ouvir, não importa. Agora, se você está prestes a ouvir, saiba que é um álbum que vale bem a pena, como qualquer outro de Marnie (incluindo o excelente disco anterior, Marnie Stern).

Escrito por Tiago Ferreira em quinta-feira, março 21, 2013 10 Comentários 

Se as gravações do disco anterior mostravam um clima de tensão entre os integrantes e o líder, Comedown Machine é uma reatada nociva. É como se os instrumentistas cedessem às vontades de Casablancas para retomarem as atividades. Isso é comum em namoros e até amizades; mas, quando envolve a indústria fonográfica e uma legião nada pequena de fãs, os efeitos nocivos são percebidos de imediato.

Regions of Light and Sound of God é um disco que já se clama como espirituoso. Não espere aqui as vertentes de um rock sulista, ou mesmo experimental. O disco traz fragmentos de um funk futurista regido por vocais melancólicos que procuram o caminho da luz – tudo isso numa realidade cada vez mais apossada pela tecnologia. Essa descrição é fácil de perceber logo na capa do disco.

Bom, o retorno para o EP Songs For Slim vem em um contexto diferente. Primeiramente, ele foi lançado como vinil em janeiro deste ano para arrecadar fundos ao ex-guitarrista Slim Dunlap (ele tocou na banda entre 1987-91), que sofreu de um derrame. O lançamento digital só veio agora, dia 5 de março. A falta de recursos (saiba que os Replacements raramente chegaram às paradas, apesar do culto quase obsesso por parte de alguns fãs) complicou na hora de comprar remédios para Slim. Daí, Westemberg resolveu se reunir ao baixista Tommy Stinson para tocar composições do próprio Dunlap (“Busted Up” e “Radio Hook Word Hit”), além de letras assinadas por outros músicos.

Em poucas palavras, The Next Day é o álbum que melhor comprova seu lado camaleônico. É um mix de tudo o que o camaleão fez no auge dos anos 70 e 80. Ali tem o David dançante de Let’s Dance (fala se “(You Will) Set the World On Fire” não é típico de quem fez um “Cat People”?), o David flertando com a música negra de Station To Station (“Dirty Boys”, uma das melhores do álbum) e até o David fazendo uma breve revisita à trilogia de Berlim, possível de ouvir em “Love is Lost”.

O título do disco é bem pragmático: mande o céu pra longe! Se o inferno ou o paraíso é aqui, não cabe a Nick Cave definir. Mas, uma coisa certa: é aqui onde as coisas acontecem. Quem já está habituado com a sonoridade de Cave não deve notar tamanha diferença em relação aos discos anteriores no quesito sonoridade. Push the Sky Away é atmosférico: cada melodia, efeito orquestrado ou contínuo riff de guitarra surge para endossar a complexidade das composições de Nick Cave.

Tudo bem. Você pode estar longe dos 30 e provavelmente não deve entender porque um disco tão esfumaçado como Loveless é usualmente citado como uma das grandes obras-primas da década de 1990. Mas, pelo menos nos últimos meses, já deve ter flertado com o nome My Bloody Valentine ou Kevin Shields em publicações eufóricas pelo lançamento do tão aguardado sucessor do álbum de 1991.