Na Mira do Groove

Escrito por Tiago Ferreira em quarta-feira, setembro 22, 2010 1 Comentário 

Escaldante Banda faz referência ao melhor das esquisitices de Arnaldo Baptista, algumas incursões mutantes e até o pique dançante de Tim Maia. Canções com letras divertidíssimas dão gás ao álbum, que tem pouco mais de 30 minutos. Além de referências do rock brazuca, o Garotas Suecas expande as possibilidades no ritmo em “Mercado Roque Santeiro” (que, não por coincidência, festeja a amplitude musical do rock) com uma grande fuzarca, trazendo instrumentos metálicos de sopro em conjunto com aquilo que há de mais psicodélico da canção brasileira.

Santana ousa ao recriar canções como “Whole Lotta Love” ou “Sunshine of Your Love” sem soar como covers pretensiosos. Sim, quem gosta de rock vai amar este álbum. Mas, quem gosta particularmente de Santana, pode perceber que um pouco de sua característica pessoal se esvaiu, como se o guitarrista tivesse medo de deixá-las expostas demais e acabar não agradando os fãs mais radicais do bom e velho rock’n roll.

Escrito por Tiago Ferreira em quarta-feira, setembro 15, 2010 1 Comentário 

Em Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty, Big Boi fornece um manual de inventividade no hip hop, pegando referências funk e roqueiras, que poucos seguiriam à risca. Percebe-se o cuidado do artista de ponderar suas referências funk oitentistas com dancehall em canções fartamente animadas, dançantes e envolventes. Até mesmo o expert George Clinton deixou-se levar pela esquizofrenia moderna de Big Boi, dando uma palha em “Fo Yo Sorrows”.

Primeiro disco de projeto de Danger Mouse (Gnarls Barkley) e James Mercer (The Shins) mostra novos caminhos para a música pop. No duo Broken Bells, o que impera é o lado soul, mas totalmente vintage, com leves toques pop. O álbum homônimo do grupo foi lançado em março deste ano e conquistou a crítica por suas letras e arranjos bem condensados, que trabalham o lado emocional das canções de forma consistente com riffs improváveis e sonoridades experimentais em uma singela atmosfera melancólica.

Cindy Blackman, baterista conhecida por tocar com Lenny Kravitz, homenageia Tony Williams, que eternizou o fusion jazz nas baquetas. Em Another Lifetime, é possível ver o flerte da baterista com o rock, revitalizando um ritmo musical que ganhou popularidade no final da década de 1960 após a legendária formação da big band de Miles Davis, que culminou em álbuns históricos como Bitches Brew.

Escrito por Tiago Ferreira em quinta-feira, setembro 2, 2010 2 Comentários 

Barulhento como Myths of the Near Future, Surfing the Void busca fugir das rotulações indie que contaminaram a produção musical inglesa, mas acaba perdido no espaço. Repleto de referências alucinógenas (vide “Extra Astronomical”) e uma postura fora do comum (quem senão eles para afirmar que iriam direcionar verbas para a pesquisa de telepatia?), o álbum tem muitos pontos altos, mas está numa linha tênue demais entre a música barulhenta de qualidade e ruídos inaudíveis.

Escrito por Tiago Ferreira em domingo, agosto 29, 2010 6 Comentários 

Blues arrastado do duo Dan Auerbach e Patrick Carney trafega por caminhos tortuosos e barulhentos, mas sem deixar de agradar os ouvidos. Uma fábrica de hits blueseiros-modernos de fácil audição. O álbum é bem produzido e mostra que os integrantes conseguem se virar muito bem ao misturar outros elementos sonoros às suas canções, indo além da base guitarra-e-bateria.