Na Mira do Groove

Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, abril 16, 2013 3 Comentários 

A presença de Karol Conká não é nenhuma grande surpresa. A cantora curitibana que faz rimas como uma rapper entregou seu primeiro disco, Batuk Freak, mirando mais o pop do que tudo. Um pop que abrange da periferia à classe média alta que gosta de rebolar em baladas cujas entradas ultrapassam os 100 paus. A produção de Nave procura o exacerbado, talvez para agradar justamente quem se agrada pelo poder do funk carioca de instigar muito mais pelos graves do que pelas composições.

Bom, o retorno para o EP Songs For Slim vem em um contexto diferente. Primeiramente, ele foi lançado como vinil em janeiro deste ano para arrecadar fundos ao ex-guitarrista Slim Dunlap (ele tocou na banda entre 1987-91), que sofreu de um derrame. O lançamento digital só veio agora, dia 5 de março. A falta de recursos (saiba que os Replacements raramente chegaram às paradas, apesar do culto quase obsesso por parte de alguns fãs) complicou na hora de comprar remédios para Slim. Daí, Westemberg resolveu se reunir ao baixista Tommy Stinson para tocar composições do próprio Dunlap (“Busted Up” e “Radio Hook Word Hit”), além de letras assinadas por outros músicos.

Em poucas palavras, The Next Day é o álbum que melhor comprova seu lado camaleônico. É um mix de tudo o que o camaleão fez no auge dos anos 70 e 80. Ali tem o David dançante de Let’s Dance (fala se “(You Will) Set the World On Fire” não é típico de quem fez um “Cat People”?), o David flertando com a música negra de Station To Station (“Dirty Boys”, uma das melhores do álbum) e até o David fazendo uma breve revisita à trilogia de Berlim, possível de ouvir em “Love is Lost”.

Escrito por Tiago Ferreira em sexta-feira, janeiro 11, 2013 2 Comentários 

Ainda que Long.Live.A$AP transite entre desejos e fetichismos do músico, o ouvinte percebe nas primeiras três faixas que a pretensão é a grande arma de A$AP e da gravadora, que apostaram em um hip hop dopado cujas melodias flertam com o indie-rock – caso da notívaga faixa-título e a sequência “Goldie”, levada por espectros sonoros que remontam aos efeitos pós-balada.

Escrito por Tiago Ferreira em domingo, novembro 25, 2012 5 Comentários 

Provavelmente os fãs mais atentos do Soundgarden, que não são poucos, devem ter ficado atônitos com esse retorno que culminou em King Animal 15 anos depois do último lançamento da banda, Down On the Upside (1996). Pelo gosto do vocalista Chris Cornell por efeitos e autotunes que foi crescendo ao longo dos anos, o medo era trazer essa nova ‘fase’ para um dos grupos mais intactos do grunge. Felizmente ele não optou por este lado.

A banda australiana Tame Impala é, talvez, o principal porta-voz da geração que pertence a um período longe, muito longe de agora. Seria muito fácil detratar uma banda em que o vocalista parece cover do John Lennon, os teclados nublados lembram ligeiramente Richard Wright e as baterias corrosivas formam uma espécie de junção Charlie Watts-Ringo Starr. No entanto, em poucas audições não é bem a originalidade que vai te cravar, e sim, o fato de como essa sonoridade transporta tua mente para uma máquina do tempo abstrata. Ouça na íntegra.

No segundo álbum, o músico paulistano quis se livrar de todas as amarras possíveis. Depois de passar por um período de tristezas, decidiu chamar Kassin para a produção (“ele sabe dar uma estética contemporânea, com elementos digitais”) e reprocessar ideias e períodos artísticos para um trabalho onde máxima é ‘se perder por aí’ – como canta em “Dandy Darling”. Ouça na íntegra.