Na Mira do Groove

Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, setembro 4, 2012 4 Comentários 

O The xx é reflexo do cansaço que a própria cultura pop gerou. Sei que muitos devem celebrar quando surgem novos trabalhos de Diplo e Skrillex, mas, mesmo que não se perceba, os ouvidos pedem um conforto sonoro. Fones de ouvido são onipresentes em nosso cotidiano – principalmente no cotidiano de quem mora na metrópole, alvo maior da cultura de massa. É como se procurássemos um descanso, mas sem tirar o fone do ouvido. E aí entra o The xx. Mas é bom fazer um lembrete aos fãs do trio: aqui não tem nada de novo; nunca teve.

Come of Age, só pelo nome, já denota a falta de criatividade para lidar com o tal segundo disco. Nele, as canções adquirem tom mais reflexivo, como se eles quisessem romper logo de cara com a possível alcunha de ‘banda adolescente’. Sabe aquele filme da garota que faz um pedido quando criança e acorda vinte anos depois como uma mulher bem-sucedida? Então, o The Vaccines está tentando fazer isso no segundo disco. E a questão não cala: melhor voltar ou seguir em frente? Porque o meio do caminho faz diferença…

Não existe linearidade nenhuma neste registro que ele chamou de ‘viajeira em casa’. Seria música ambiente? Jazz? Música orquestral? Um pouco de tudo isso, uma vez que Flea prova estar ampliando seus conhecimentos musicais, chegando a criar, em 2001, o instituto Silver Lake Conservatory, que facilita o aprendizado de música – inclusive, o dinheiro arrecadado para este álbum será direcionado à instituição.

Quando nos deparamos com o segundo disco de Twin Shadow, projeto do músico dominicano naturalizado norte-americano George Lewis Jr., a pergunta que fica é: o que há de obscuro ali? Lewis Jr. não está arrasado: simplesmente, este é o clima que melhor pode definí-lo. No entanto, o que pareceria uma simbologia muito interessante para desvendar o túnel de suas incertezas pode se provar um tanto quanto alienante – ou, noutras palavras, nostalgia desnecessária.

Nem parece mas esse já é o quinto álbum do Gossip. Desde o último lançamento, Music For Men, para este aqui, A Joyful Noise, coisas mudaram. Gossip não é mais aquela banda de punk-indie cheio de barulheiras. As músicas estão mais dançantes por conta de dois fatores principais: o trabalho com a produtora Xenomania (Pet Shop Boys, Cher); e a nova direção musical da icônica vocalista Beth Ditto, que disse ter passado um ano inteiro ouvindo Abba.

Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, maio 8, 2012 1 Comentário 

O time de produtores é muito bom, mas Santigold segue caminho errado ao procurar a exacerbação quando já estamos cansados do excesso dela. Apesar de oferecerem bases criativas, Q-Tip, Dave Sitek (TV On the Radio), Diplo, Switch (do Major Lazer), Ricky Blaze (“Disparate Youth”), Greg Kurstin e Nick Zinner não sustentam o escapismo superficial da música de Santigold.

Escrito por Tiago Ferreira em domingo, março 4, 2012 1 Comentário 

É fácil ouvir dizer que as guitarras parecem ter sumido do rock, mas aí entra a grande contribuição do Sleigh Bells: mostrar que ela ainda é essencial para o gênero, seja apenas para impactar ou para estourar os tímpanos dos ouvintes. Em Reign of Terror, o duo está ainda mais barulhento e exibe novas possibilidades com o instrumento. A intenção é surpreender, e isso eles conseguem com facilidade sem se mostrarem forçados.