Na Mira do Groove

O bardo, ex-Screaming Trees que ajudou a criar alguns riffs etéreos para o Queens of the Stone Age, retoma com uma sonoridade lúgubre levada por guitarras. Tem muita inspiração de Joy Division e New Order, no sentido de buscar a profundidade das composições que buscam contraponto com os instrumentos.

Escrito por Tiago Ferreira em domingo, abril 15, 2012 Deixe um Comentário 

Desde 2004 o duo Orbital (formado pelos irmãos britânicos Phil e Paul Hartnoll) não lança um disco novo. De lá pra cá, a música eletrônica vem sofrendo alterações ora forçadas para se adequar ao público mainstream, ora criativamente forçadas a serem relegadas ao lado-B quando não são dançantes. O Orbital não veio para mudar nada. No entanto, também não se encaixa em nenhuma das ramificações citadas.

Seus clamores contra a terra arrasada pelas agruras do capitalismo, a negligência dos mais poderosos, os endinheirados que causam ‘morte em minha cidade-natal’ são alvos de um inquieto proletário que reclama aquilo que todos sabemos: quem tem mais, não está nem aí pra quem tem menos.

Lucas não quis desconstruir nada em seu novo registro, O Deus Que Devasta Mas Também Cura, mas também não ergue um bloco de renovação estética. Sua nova preocupação é com a crônica no sentido de contar algo que viu, mas sem evitar pequenas pitadas de trilhas de ficção científica.

Escrito por Tiago Ferreira em sábado, março 10, 2012 Deixe um Comentário 

Ainda que tenha muitas releituras, Black Radio carrega uma novidade necessária ao gênero: a proximidade com o pop, daqueles que podemos ouvir nas rádios. Seu novo disco com a excelente banda Experiment é cheio de participações especiais, que vão de Erykah Badu na releitura de “Afro Blue” (de Mongo Santamaria) a Mos Def na faixa-título, um rap que poderia muito bem figurar em um disco do A Tribe Called Quest.

Beto Villares e Gustavo Lenza não assinam mais a produção; Céu chamou o marido Gui Amabis para esse feito. Por si só, aí já existe uma ruptura grande: ao invés de traçar uma relação maior com gêneros universais, a cantora tenta voltar pro cangaço pegando sonoridades mais cruas – entre elas, o rock. Tal ritmo se mantém, bem é verdade, por conta da guitarra de Fernando Catatau.

Punk, grunge e Steve Albini mostraram novos caminhos para o outrora grupo de indie lo-fi. Outro fator que deve ter contribuído para esse surto do Cloud Nothings no segundo disco é o fato de Dylan Baldi ter excursionado com o pesadíssimo grupo de hard core Fucked Up. Ele mesmo não nega que aprendeu muito com aqueles caras.