Na Mira do Groove

Escrito por Tiago Ferreira em domingo, dezembro 2, 2012 Deixe um Comentário 

Bish Bosch é o último disco de uma trilogia iniciada em Tilt (1995) e intensificada em caminhos misteriosos com The Drift (2006). Se a distância de ídolo pop iniciada com os Walker Brothers nos anos 1960 havia extremado com o trabalho anterior, com Bish Bosch é que essa experiência vai mais a fundo (se bem que os detratores dessa faceta pop de Scott já devem ter perdido as esperanças há um bom tempo).

O que Servil (2004) e Idioma Morto (2006) tinham de agressivo, E Você se Sente… tem de eloquente. Jair Naves tem muito pra falar e pra expressar e, como poucos, consegue mensurar a complexidade de seus sentimentos nas composições – de nomes tão grandes e complexos quanto seu interior. O rock nacional estava sentindo falta de um compositor assim tão bom.

Pelo menos cinco motivos podem afastar possíveis ouvintes deste disco: 1) o nome do grupo é muito estranho; 2) o título do disco, então, piorou…; 3) as duas principais músicas têm mais de 20 minutos de duração; 4) é instrumental experimental; 5) a capa não é tão reveladora. Mas não deixe de ouvir e se surpreender com esta bela obra musical. É pura experiência sensorial que transcende repertório, proximidade e estilo

Pra Ficar pode ser entendido como pop. Produzido por Arto Lindsay (Marisa Monte, Tom Zé, Caetano Veloso), o álbum tem letras divertidas e fáceis de cantar, possuem ritmo contagiante e – o melhor – há qualidade de sobra! Afinal, estamos falando de um coletivo de músicos que já estão envolvidos na cena pernambucana há um bom tempo (o líder do coletivo e percussionista Gilú Amaral já tocou com Naná Vasconcelos, Otto, Mundo Livre S/A; Maciel Salú, voz e rabeca, é filho de ninguém menos que Mestre Salustiano).

“Sleeping Ute” e “Yet Again” são duas beldades, joias raras. Mas a novidade nem é essa. Não caia nessa pegadinha de ‘duas músicas boas, e só’. Vale muito mais a pena encarar um disco quando essas ‘duas músicas’ são apenas o interlúdio de uma beleza ímpar. Um conjunto não de singles – mas um conjunto atmosférico que faz do Grizzly Bear uma das bandas de rock mais relevantes da atualidade.

Sun é, sim, retrato de uma mudança de ares na arte de Cat Power. Mas isso não aconteceu exclusivamente porque ela se sentiu traída ou está se sentindo ‘forever alone’. Afinal, seis anos é tempo demais para acharmos que apenas isso foi fator determinante para tal mudança. Por exemplo, nesse tempo, ela aprendeu técnicas de estúdio, como a mexer no ProTools. A partir disso, gravou simplesmente todos os instrumentos, vozes e efeitos do álbum.

Tudo estava a favor: 40 anos de The Harder They Come (trilha sonora de filme que mostrou o reggae ao mundo), nomeação recente no Rock’n Roll Hall of Fame, 50 anos de independência da Jamaica, a valorização do R&B no mainstream (Adele, Amy Winehouse), o que direcionou a tal ‘grande massa’ aos instrumentos metálicos e vozes mais ‘puras’ sem o autotune… Fazia 8 anos que Jimmy Cliff não lançava nada inédito. Para tanto, Rebirth veio numa boa hora.