Na Mira do Groove

Uma única audição de “intro”, do grupo de rap-noisy Clipping, detrata o hedonismo que tomou conta e afetou toda a produção do gênero. Ainda em seu primeiro disco, a proposta do Clipping é impactar tanto por meio de uma atmosfera improvável que inclui pipocos eletrônicos, overdubs estourados e batidas tensas, como por suas rimas que, de tão velozes, assumem o caráter quase terapêutico de se desvencilhar das porcarias que somos obrigados a aguentar no hype.

The Chronicles of Marnia é o diário pessoal que faz referência a um livro que a cantora nunca leu. Portanto, um exercício que já pode ser riscado da lista é: não tente encontrar significados semelhantes às Crônicas de Nárnia. O que temos aqui é uma artista que sentiu a necessidade de despir-se ao mundo e ao meio artístico. Quem não vai ouvir, não importa. Agora, se você está prestes a ouvir, saiba que é um álbum que vale bem a pena, como qualquer outro de Marnie (incluindo o excelente disco anterior, Marnie Stern).

Regions of Light and Sound of God é um disco que já se clama como espirituoso. Não espere aqui as vertentes de um rock sulista, ou mesmo experimental. O disco traz fragmentos de um funk futurista regido por vocais melancólicos que procuram o caminho da luz – tudo isso numa realidade cada vez mais apossada pela tecnologia. Essa descrição é fácil de perceber logo na capa do disco.

O título do disco é bem pragmático: mande o céu pra longe! Se o inferno ou o paraíso é aqui, não cabe a Nick Cave definir. Mas, uma coisa certa: é aqui onde as coisas acontecem. Quem já está habituado com a sonoridade de Cave não deve notar tamanha diferença em relação aos discos anteriores no quesito sonoridade. Push the Sky Away é atmosférico: cada melodia, efeito orquestrado ou contínuo riff de guitarra surge para endossar a complexidade das composições de Nick Cave.

Tudo bem. Você pode estar longe dos 30 e provavelmente não deve entender porque um disco tão esfumaçado como Loveless é usualmente citado como uma das grandes obras-primas da década de 1990. Mas, pelo menos nos últimos meses, já deve ter flertado com o nome My Bloody Valentine ou Kevin Shields em publicações eufóricas pelo lançamento do tão aguardado sucessor do álbum de 1991.

Sexto disco da banda instrumental bagunça expectativas em espaços musicais mais curtos que os anteriores. Matematicamente bagunçado e organizadamente punk, o Hurtmold é uma banda que não pode ser encaixada em estéticas. Catorze anos depois, o combustível da banda continua sendo essa anarquia não-definidora, que mexe com os sentidos e surpreende a ponto de provocar distintas reações.

Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, dezembro 4, 2012 9 Comentários 

A primeira faixa dá a impressão de que Abraçaço encerra com agressividade a trilogia iniciada com e condensada em Zii & Ziê (2009). O próprio título é entoado como despedida, com um interessante paralelo: em entrevistas, o músico afirmou que gosta da construção da palavra e geralmente encerra os e-mails com o termo. Na canção “Um Abraçaço”, ele mesmo não nega a influência da tecnologia (‘nossos computadores: luz’) e evita a obviedade daquele músico antiquado fixado na música dos anos 1960-70.