Paulo Caetano já havia dito que o Bemônio não era uma banda: era um projeto em que raiva, ira, desapontamento, decepção e outros sentimentos negativos fossem despidos de si próprio. Quase uma persona.
Depois da difícil perda do pai, que gestou no projeto Adeus (com o disco Pai), Paulo coloca o Bemônio em cena novamente, mas quase descumprindo a premissa de não-banda. Porque, desta vez, ele reuniu Marcos Campelo (Chinese Cookie Poets), Eduardo Manso (Rabotnik, Baby Hitler) e Alex Zhemchuzhnikov (Sobre A Máquina) para o disco Lágrimas de Sangue e Fezes.
Gravado ao vivo no Audio Rebel, no Rio de Janeiro, numa sessão em março de 2014, o novo disco do Bemônio foge do conceito extremista do anterior e ótimo Santo, considerado o melhor álbum nacional de 2013 pelo Na Mira.
Com apenas duas faixas, Lágrimas de Sangue e Fezes soa como a lamúria melancólica após os últimos eventos pessoais de Caetano, desde sempre a linha de frente do projeto. Há arroubos extravagantes, mas neste disco percebemos o disco do Bemônio como algo feito por um humano e não por uma espécie de ‘espírito’ (seja bom ou ruim) desse humano.
Masterizado por Fabiano França e com mixagem de Eduardo Manso, Lágrimas… foi oficialmente lançado no dia 24 de março e prova como as contradições humanas influenciam, sim, no processo de criação do Bemônio, um dos nomes mais sobressalentes do que se convém chamar Música Torta Brasileira.
Ouça na íntegra – e no talo:
