Em dias quentes como esse começo de 2014, o inverno costuma ser lembrado por suas características mais positivas. Alguns reclamam do calor, querendo o frio. Outros não querem suar, clamando para que dias frios o façam tirar as vestimentas mais exóticas do guarda-roupas.
A intenção de Gustavo Jobim ao lançar o Inverno pode não ter sido essa, mas o contraponto existe. Existe porque o músico carioca não se vale de referências nacionais em sua produção.
Tão gélidas quanto o título do álbum, as 9 faixas (uma com mais de 20 minutos) percorrem um caminho denso – não tão sepulcral como o anterior Manifesto (um dos melhores discos nacionais de 2013) – mas tão emblemático como o frio europeu.
Sobre as influências do disco, o especialista Artemi Pugachov, da Encyclopedia of Electronic Music, esclarece: “Klaus Schulze, Art Zoyd, talvez um pouco de Zeit (1972), do Tangerine Dream, um pouco de Vangelis (“Apocalypse des Animaux”), um pouco da ‘música de calabouço’ de Mortiis e do Burzumc… Resultado: gostei bastante!”
Drone e ambient se entrelaçam num entorno híbrido e faixas como “Ice Age Coming” e “Mountain” se adequam como a sonoridade de nossos desejos diante de temperaturas altíssimas, de mais de 30º C.
Quem sabe o significado de Inverno mude com a aproximação de estações mais frias…
Enquanto isso, ouça o disco na íntegra:
