Se você pensa que a música brasileira pouco tem a ver com a música cubana provavelmente irá rever seus conceitos ao se deparar com René Y Carol.
A distância dos percalços culturais de René Ferrer e Carolina Sá parecem ainda mais distantes quando se analisa a trajetória de cada um.
Antes de chegar a São Paulo, o cubano tocava rap, até que descobriu mais a fundo a música popular daqui e decidiu misturá-los junto à influência da música de seu país.
Carolina, além de cantora, é roteirista e cineasta. Lançou seu primeiro documentário em 2012, Construção, que fala sobre espaços e afetos a partir da história de duas famílias.
No segundo semestre do ano passado os dois se reuniram para o projeto e iniciaram as gravações do primeiro disco, Adundundarandun, “cujo repertório dialoga com a música contemporânea brasileira e cubana e mergulha numa atmosfera muito particular com letras cantadas em português, inglês e espanhol”, como diz o release.
Gravado no Estúdio do Mato, o álbum foi produzido por Alê Siqueira (Tribalistas, Omara Portuondo) e mixado nos Estados Unidos, no estúdio Hanzsek.
Dentro de projetos tão particulares fica difícil estabelecer algum paralelo contemporâneo. Mais que solidificar a necessária união latina, algo tão fugidio na música brasileira como um todo, Adundundarandun abre caminhos para entender a melhor possível intersecção da nossa música com a música cubana. Não de um jeito tradicional; mas de um jeito moderno, apontando novos caminhos, como percebemos em “Menina Moça” e no gingado eletrônico de “Capoeira”.
A seguir ouça o disco na íntegra:
