
Depois de três dias exaustivos embaixo de um sol fritante pelo dia e um frio rasgante pela noite, dá para se afirmar que o SWU foi um grande evento. Muito mais pela oportunidade de conhecer pessoas de todo o Brasil, sentir a empolgação vibrante de cada fã que enfrentou as adversidades temporais do que pelo contexto geral da organização e até mesmo a apresentação de algumas bandas.
No primeiro dia, a cena era toda do Rage Against the Machine. Zach de La Rocha, Tom Morello, Tim Commeford e Brad Wilk vieram com todo o gás, estava visível logo na abertura de “Testify” e a sequência de “Bulls On Parade”. Nunca tinha visto uma multidão toda empolgada, ensandecida, pedindo para serem beliscados, pois não acreditavam naquilo que contemplavam.
Eu era um desses guris fanáticos, mesmo carregando uma bolsa que continha barraca, roupas e mantimentos para três dias. Joguei todas as tralhas no chão e deixei clássicos como “Wake Up”, “Calm Like a Bomb” e “Know Your Enemy” me guiarem as porradas e chutes das danças ‘pogo’ que eram inevitáveis em um show daquele porte.
Houve um estresse com as falhas sonoras no meio de “Bombtrack” e “Township Rebellion”, mas quem estava lá não hesita em afirmar: valeu a pena todos os perrengues para admirar uma das bandas mais incisivas dos últimos tempos.
Isso sem falar na apresentação visceral de Macaco Bong, que deixou muita gente que não conhecia o grupo boquiaberto com os riffs rasgados de sua sonoridade instrumental. Los Hermanos também trouxe ótimos momentos no sábado, principalmente com o clima nostálgico de canções como “Todo Carnaval Tem Seu Fim” e “O Vencedor”.
No domingo, para mim, quem roubou a cena foi a Joss Stone. Munida apenas de um vestido e com os pés descalços em um dia friorento, a bela cantora mostrou toda a potência de seu vocal, além de exibir uma das melhores performances no dia. Não havia como não se deleitar com seu timbre impecável, que remete a algumas das maiores divas negras do soul. Inclusive, ela fez uma homenagem a Solomon Bourke, que morreu na manhã de domingo, dedicando a canção “Music”.
Apesar dos desavisados fãs do Kings Of Leon comprometerem a apresentação do Dave Matthews Band, o grupo segurou bem com seus metais firmes de canções como “Shake Me Like a Monkey”, que abriu o show, e até mesmo uma versão para o clássico “All Along The Watchtower”, do Bob Dylan.
(Detalhe: me recusei a ver o Kings of Leon, essa banda não tem lá muita coisa que me agrade.)
O último dia, como dava para perceber, era o mais pesado. Cavalera Conspiracy proporcionou momentos de muita berreira tocando alguns clássicos do Sepultura (“Roots Bloody Roots” encerrou com chave de ouro, hein!), mas a noite mesmo era do Queens Of The Stone Age.
Josh Homme e companhia atrasaram cerca de 40 minutos, mas nem isso trouxe desânimo para os mais de 50 mil pelegos que aceitaram as escusas com a abertura de “Feel Good Hit of The Summer” e, na sequência, emendando “The Lost Art Of Keeping a Secret”. Com o Queens, só veio porrada! O melhor show da noite de segunda via consistência no peso de “No One Know”, “Go With The Flow” e, para encerrar, a pancada de “Song For The Dead”.
O Pixies também trouxe uma fabulosa apresentação, trazendo momentos impagáveis com “Where Is My Mind?”, “Debaser”, “Tame”, “Wave Of Mutilation”, “Bone Machine” e uma porrada de outras.
Linkin Park e Avenged Sevenfold deixaram a noite fria ainda mais deprimente, até vi uma coisa ou outra no telão, mas passei batido. Já estava mais-que-podre dos três dias no evento. Para se ter uma ideia, não acampei no SWU, deixei para procurar outro camping por lá mesmo, na louca.
Consegui uma hospedagem próximo do centro de Itu e fiquei por lá durante os três dias. Conheci gente de tudo quanto é lugar e, por incrível que pareça, não conheci nenhum paulistano diferente. Fui com um amigo no primeiro dia, mas nos outros dois me alojei com uma galera bem divertida e miscigenada: eram dois brasilienses, um deles nascido no Ceará, dois cariocas, dois mineiros, três ou quatro catarinenses, um de Goiânia… essa mistura foi, talvez, uma das coisas mais incríveis que somente um evento do porte do SWU pode proporcionar: a união verdadeira de povos de todos os lugares pela música.
Apesar das falhas da organização,o desrespeito no primeiro dia com o atraso dos policiais (sic!) e com os preços absurdos da cerveja (Heineken em lata por R$6? Aí não dá…) e das comidas, o evento foi, sim, muito bom, inesquecível! Tirei várias fotos, mas acabei perdendo a câmera fotográfica em um bate-cabeça, creio que do Queens Of The Stone Age ou do Cavalera Conspiracy (?!?). Escrevo tão fatigado que não tenho nem mais palavras (minha voz já era faz tempo) para descrever essa experiência riquíssima. Valeu muito a pena! Como disse o Jotabê Medeiros, foi um verdadeiro “Itustock”.
