Medo, coragem, superação. Todos passam por isso em alguns momentos da vida, mas nem sempre o que vivemos soa tão bizarro como mostram alguns clipes. Observe “Scare Me”, do Major Lazer: fazendo uso do mesmo enredo de um Robocop, fica fácil combater os inimigos quando se tem à disposição um braço com uma metralhadora portentosa daquelas.

Falando de superação, vale a pena se emocionar com as histórias reais do novo clipe de O Rappa. A qualidade da canção pode ser motivo de discussão, mas nada como dar um olhar positivista a um cenário que sempre cai nos mesmos clichês que crápulas como Datena e Marcelo Rezende adoram nos empurrar em seus programas sensacionalistas. Não é preciso ser fã para cair no gosto de “Auto-Reverse”.

Confira a seguir os cinco melhores clipes da semana:

5. O Rappa: “Auto-Reverse” (part. Dexter)

Todos já sabem que O Rappa está de volta. Se isso será uma coisa muita boa (ou não), só o aguardado Nunca Tem Fim… vai nos revelar. Todavia, me soou um belo acerto a banda voltar seu olhar para a periferia ao mostrar bonitas histórias de superação. Porque a periferia é muito mais complexa que o eterno bang-bang de polícia versus traficante. A direção é de Maurício Eça.

4. Pelican: “Lathe Biosas”

Os riffs pesados de post-metal do Pelican corroem. Mire e veja: um rapaz chega tranquilamente do que parece ser um passeio costumeiro, põe a vitrola pra rodar e coloca o fone de ouvido. A partir de então, ele flerta com imagens de uma garota sem olhos e outras bizarrices. Por mais que o termo ‘metal’ esteja envolvido, não vá pensar em coisas demoníacas; na verdade, o enredo é um tanto leve. Só não posso dizer das impressões dos personagens em relação à faixa – essas, sim, são profundas. Direção de Diona J. Mavis.

3. Hookworms: “Away/Towards”

Um ritual em uma floresta, em terras tropicais, lembra Chá de Santo Daime – principalmente quando vemos uma substância no meio da coisa toda. Seja lá o que for que os personagens deste clipe estejam ingerindo, o efeito é bem, beeeem psicodélico. A faixa integra o ótimo Pearl Mystic, um disco que você não pode deixar batido em 2013. Direção de Sam Wiehl.

2. Major Lazer: “Scare Me” (ft. Peaches & Timberlee)

Por mim, o Major Lazer deveria ser nada mais que um projeto audiovisual. Suas músicas são legais, mas seus clipes, estes sim, imbatíveis. Em “Scare Me”, eles chamaram o linha-dura mais comediante da atualidade, Nick Kroll (o Julius de Todo Mundo Odeia o Cris), que aqui desempenha um papel de Robocop vestido de Rambo. Ele tem uma companheira boa com facas, interpretada por Lauren London, e está a serviço do Governo. O vilão, como bem apontou o Stereogum, remete a uma versão dancehall do vilão Bane, do Batman. A direção é de Brandon Dermer.

1. Spiritualized: “I Am What I Am”

Sweet Heart Sweet Light é um baita dum disco. Não bastasse agradar por sua trabalhada sonoridade, o álbum do Spiritualized também nos entrega belos clipes. De todos até agora, “Hey Jane” permanece imbatível. Mas pode colocar logo em seguida este “I Am What I Am”, que mais uma vez narra a triste vida de um suburbano. Se no anterior a banda falava de um transexual, o papo aqui tem mais a ver com um garoto que não se enquadra no estilo normal de vida. Ele se sente recluso e não encontra nenhuma brecha para se adaptar ao que acontece em sua volta. Nem mesmo seus parentes parecem ligar muito pro que ele faz. Quem interpreta o depressivo garoto é Rory Culkin, que faz a vez do Esqueceram de Mim eternizado por seu irmão, Macaulay Culkin. A direção é do genioso AG Rojas.