Gravadora: Selo Sesc
Data de Lançamento: 16 de março de 2017

Se você hoje reverencia Moacir Santos, culpe Mário Adnet. Em 2001, ao lado de Zé Nogueira, ele regravou meticulosamente boa parte das partituras do maestro pernambucano em Ouro Negro, patrocinado pela Petrobrás e que trata com limpidez e idoneidade o legado de clássicos como Coisas (1965) e temas como “Mãe Iracema”, “Orfeu (Quiet Carnival)” e alguns outros.

Requisitado violonista e mais requisitado ainda por seu trabalho como arranjador, o produtor carrega em suas influências Tom Jobim, Baden Powell e Dorival Caymmi, além de Moacir. Já trabalhou com jazzistas do porte de Wynton Marsalis e João Donato e chegou a ganhar um Grammy em 2004 pelo disco Jobim Sinfônico.

Atualmente o compositor está no Selo Sesc, onde acaba de lançar um disco inédito que reforça essas influências em composições atemporais, dotadas de rica fluidez.

Saudade Maravilhosa tá aí pra reforçar que Adnet também é um excelente compositor, que inevitavelmente traz ecos de todos esses medalhões citados.

O resultado é quase 1h30 de divindade harmônica. Só há uma música com letra, em “Valsa do Baque Virado”, parceria com João Cavalcanti.

Os demais temas instrumentais revelam uma calmaria que até contrastam com a crise política que vivenciamos. Seria um refúgio, então? Na verdade, considero mais uma contextualização do pouco que entendemos de jazz brasileiro nessa nova era.

Mário Adnet se concentra na alegria e no brilhantismo estético, e se isso está longe de definir um pouco do que somos aqui e agora, urge a necessidade de você se entregar para Saudade Maravilhosa. Não é nostalgia; é contexto. Mas, acima de tudo, é primor.

Ouça o disco na íntegra no player abaixo:

Tracklist:

01 Ancestral 02 Cecilia no Parquinho 03 Saudade Maravilhosa 04 Flor do Dia 05 Azul da Tarde 06 Valsa do Baque Virado 07 Viver de Amor 08 Chorojazz 09 Sambaqui

10 Caravan

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