O que o pop tem para mostrar, provavelmente você já deve estar cansado de saber: barulheiras, diálogo com dubstep, choradeira, voz e piano, falsetes. Tem que ser exagerado. Mas a moderação também pode ter um lugar nesse mix todo – e não falo de rock indie. Quem melhor pode propor isso hoje em dia é a banda de Oxford (Grã-Bretanha) Jonquil, que faz o que já estão chamando de ‘calypso pop’.

Para quem não sabe, o calypso é um ritmo afro-caribenho que preza a dança e é levado por uma pulsação percussiva junto a banjos, berimbaus, atabaques, etc. Em 2010, o grupo veterano The Jolly Boys mostrou ao mundo essa vertente ao gravar um disco de covers do rock, como “The Passenger”, “Rehab”, “Riders On the Storm”, entre outros, puxando para esse gênero. E é um disco muito bom esse (Great Expectation), diga-se de passagem.

Voltando ao Jonquil: o calypso é apenas algo passageiro, um flerte. As melodias chegam a ter uma aproximação com o trabalho de Morrisey ou os momentos mais animados de um Stone Roses. No entanto, as canções podem muito bem te surpreender, como a entrada de um trompete, uma linha de baixo mais funk. E aí, vemos o Jonquil repentinamente metamorfosear sua sonoridade para um Talinkg Heads ou They Might Be Giants.

De acordo com a própria banda, parte das composições são feitas “in our bedrooms” (“na cama”), mas existe uma liberdade ao escrevê-las. Os arranjos são pensados só depois.

Uma boa porta de entradas para o som do Jonquil é “It’s My Part” (cujo clipe já veio parar na seção #Vídeos da Semana do Na Mira), um eletropop bem agitado levado por teclados e sintetizadores. Os vocais de Hugo Manuel passeiam pela melodia quase esquizofrênica como se ele estivesse encontrado a própria zona de conforto. “É a minha parte, e eu toco o que quiser”, canta ele na canção.

Além de Hugo, que também toca teclados, a banda tem como integrantes: Sam Scott (baixo e trompete), Robin McDiarmid (guitarras) e Dominic Hand (bateria). Antes, a banda era um sexteto, mas três dos integrantes saíram (entrou mais um) para formar o grupo Trophy Wife.

Entre as referências, o Jonquil cita Madonna, Arcade Fire e Vampire Weekend – que, provavelmente, destes três é o que melhor dialoga com o Jonquil.

Recentemente, o grupo lançou o álbum Point of Go, que você pode ouvir na íntegra no player abaixo. Será que indie mais calypso pode resultar em um bom traço pop? Ao menos, não deixa de ser interessante. Para o Na Mira, uma das boas surpresas de 2012.