The Stooges de agora: James Williamson (guitarra), Iggy Pop (vocais) e Scott Asheton (bateria), que teve uma doença séria recentemente

Iggy Pop pode não admitir, mas os Stooges são o seu refúgio musical. Ali há uma zona de conforto. Não é pra menos: o grupo foi um dos mais influentes do punk rock e quebrou diversos paradigmas musicais, tanto em suas temáticas niilistas como em sua instrumentalidade concisa e pesada.

Existiram dois momentos de ruptura na história do grupo: a primeira fase, com Ron Asheton nas guitarras – momento em que gravaram The Stooges (1969) e Fun House (1970); e a segunda fase, com James Williamson assumindo o instrumento, resultando no mais pesado disco da carreira da banda: Raw Power (1973).

É importante frisar que Ron Asheton (guitarrista que faleceu em 2009) e James Williamson são tão diferentes, que deixam duas margens de interpretação aos Stooges

Três décadas de hiato e, novamente, a história parece se repetir. Em 2003, o grupo se reuniu para alguns shows e, anos mais tarde, começaram a gravar o disco The Weirdness (2007), que trouxe a tona aquela fúria de outrora, além de mostrá-los em um bom processo criativo.

Nessa época, os Stooges tinham retornado com a sua formação original – com exceção do baixista Dave Alexander, é claro, que foi expulso por Iggy em 1970 e faleceu cinco anos depois. Ron Asheton, em seus últimos shows, ainda exibia aquela habilidade de solar na guitarra enquanto executava riffs barulhentos que se tornaram marca da banda.

Só que, infelizmente, ele faleceu em janeiro de 2009 devido a um ataque cardíaco. Enquanto Ron estava no grupo, os Stooges evitavam tocar as faixas de Raw Power, talvez porque colocasse em evidência um momento conturbado. Em 1973, quando começaram a gravar este disco, Iggy estava com problemas sérios com drogas e conheceu James. Eles se tornaram amigos próximos e tiveram a ajuda de David Bowie na produção. Com James na guitarra, como ficaria Ron Asheton? Com a ausência de um baixista, Iggy foi até a casa dele e pediu para que ele assumisse o instrumento.

Ron Asheton pode não ter gostado muito da ideia, mas viu que precisava de grana. E foi lá, cobrir, junto com seu irmão Scott Asheton, baterista vitalício dos Stooges. Mas em 1974 a banda rompeu, e todos ficaram perdidos mais uma vez.

(Scott que, segundo Iggy, quase morreu esses dias por estar sofrendo de uma doença enquanto estavam em turnê. Parece que agora, ele está descansando e passa bem.)

É importante frisar que Ron Asheton e James Williamson são tão diferentes, que deixam duas margens de interpretação aos Stooges: com Ron, o som era pesado e frívolo, mas ainda mantinha um certo diálogo com o rock progressivo graças a seus solos esvoaçantes entremeados aos riffs; já Williamson é bem mais agressivo e barulhento, violento como o punk, mostrando um outro tipo de habilidade com a guitarra.

E agora, parece que teremos um trabalho novo dos Stooges com Williamson na guitarra. O que sairá, é fácil prever. Quando Iggy Pop disse à imprensa que ele retornaria à banda, afirmou que Williamson estava há muito tempo sem compor nada – inclusive, sem tocar guitarra, já que se tornara um homem de negócios em gravadoras nesse hiato. De acordo com a Rolling Stone americana, Iggy e Williamson já estão trabalhando em novos materiais: Williamson quer um álbum e, talvez brincando, Iggy disse que as 10 faixas que já escreveram serviriam como trilha de um jogo de videogame inteligente. E aí?