01 The Genesis 02 N.Y. State of Mind 03 Life’s a B**** 04 The World is Yours 05 Halftime 06 Memory Lane (Sittin’ in da Park) 07 One Love 08 One Time 4 Your Mind 09 Represent

10 It Ain’t Hard to Tell

Gravadora: Columbia
Data de Lançamento: 19 de abril de 1994

Quando se fala de hip hop, dá uma saudade dos anos 1990. E aqui está um bom motivo para reavivar esse clima nostálgico.

Com apenas 20 anos na época, o rapper Nasir Jones veio direto de Queensbridge (Nova York) para disputar logo de cara o panteão com os já consagrados Snoop Doggy Dogg, Dr. DRE e Busta Rhymes sem confrontá-los ou chamá-los para a batalha. Sua principal arma eram as rimas de aspecto inteligente e muito bem colocadas em batidas cruas que enfatizam a densidade das composições.

Como já cansaram de falar, Illmatic se destaca pelos fraseados de um músico formado na universidade da rua, do gueto, do contato humano.

O álbum tem um quê de clássico do começo ao fim: 10 faixas com 1 introdução, músicas que falam dos altos e baixos de morar em bairros afastados, letras que falam sobre violência, mas não a vê como solução para qualquer conflito… “Crews (gangs) sem armas são caso perdido”, canta o rapper na intensa “N.Y. State of Mind”, provavelmente a faixa mais conhecida e mais corajosa de Illmatic.

Nela, Nas denuncia os negros que “só falam merda” citando Scarface (de Al Pacino) e afirmando, sabiamente, que “o sono é primo da morte”. Esse petardo foi produzido por DJ Premier que, de acordo com a Rolling Stone norte-americana, é o melhor produtor de hip hop de todos os tempos. Entre os samplers, “N.T.”, de Kool &a the Gang, e “Mind Rain”, de Joe Chambers.

Falando em produção, o staff de Illmatic é de primeira. Além do DJ Premier, ajudaram a construir as bases rueiras e esfumaçadas do disco Q-Tip (do A Tribe Called Quest, assina em “One Love”), Large Professor (do Main Source, assina em “Halftime”, “One Time 4 Your Mind” e “It Ain’t Hard to Tell”) e Pete Rock (que deixou a canção “The World is Yours” linda com o piano de fundo do mestre Ahmad Jamal).

O rap pesado pode prevalecer, mas Nas conseguiu estabelecer um diálogo da maneira convencional de rimar com as experimentações do hip hop underground, interligando Digable Planets com Grandmaster Flash da forma mais natural possível.

Outro aspecto clássico do disco é a capa, que já foi copiada por muita gente. Nela, um pequeno garoto representa o olhar de uma metrópole inteira, com o conhecimento de quem já viveu muito. (Impossível não lembrar a famigerada frase de Edi Rock em “Mágico de Oz”: “Moleque novo que não passa dos 12/já viu e viveu/mais que muito homem de hoje”.

E Illmatic é exatamente isso: a manifestação de uma mente jovem e cheio de testosterona com as ideias de um guru experiente. Uma lâmpada geniosa das ruas.

ERRATA: • O disco foi oficialmente lançado em 19 de abril, e não em março, como estava anteriormente.

• Em “N.Y. State of Mind”, Nas canta ‘I never sleep, cause sleep is the cousin of death‘, cuja tradução está no texto, e não que o sono ‘causa a morte’, como apontado anteriormente.

(Correções sugeridas pelo comentarista Pedro Nery, obrigado!)