
(Todas as sextas-feiras, irei postar aqui algum álbum considerado grandioso em minha avaliação. Inicio agora com Layla and Other Assorted Love Songs, do Derek and The Dominos. Enjoy!)
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Depois de romper com o Cream em função da guerra de egos entre o baterista Ginger Baker e o baixista Jack Bruce, Eric Clapton viu que não podia perder seu melhor momento musical com a dissolução do power trio e formou, em 1970, o Derek and The Dominos, com o tecladista Bobby Whitlock, o baixista Carl Radle e o baterista Jim Gordon.
Apenas um álbum foi gravado com o grupo, Layla and Other Assorted Love Songs, o bastante para definir um dos melhores momentos na carreira do guitarrista graças às canções inspiradas e aos solos bem inseridos no clímax de cada faixa.
Em outras palavras, o álbum é lindo. Inicia com “I Looked Away” com uma sincronia como nunca havia se visto entre teclado e guitarra, algo tocante, totalmente diferente da agressividade instrumental que Clapton realizava com o Cream.
Na verdade, o guitarrista queria se aproximar mais do blues de seus ídolos, fazendo solos mais sentimentais. Para atingir essa sonoridade, contou com a ajuda do também guitarrista de blues Duane Allman, considerado o 2º maior guitarrista de todos os tempos pela Rolling Stone.
As contribuições de Duane foram essenciais para a formatação de clássicos como “Anyday” – canção que tem como pano de fundo as habilidades do slide guitar, técnica fortemente explorada pelo integrante do Allman Brothers Band – e “Key To The Highway”, um blues de primeira que proporciona um flerte de guitarras, como se elas tivessem em um diálogo folclórico celebrando o amor e a esperança. Lindeza pura.
Derek and The Dominos: “Anyday”
Clapton, que era considerado o melhor amigo de George Harrison, dedicou a canção “Layla” à esposa do beatle por achá-la inspiradora. Na verdade, ele nutria uma paixão por Pattie Boyd, uma bela loira de olhar ingênuo e penetrante que acabou tornando-se sua esposa anos depois.
Derek and The Dominos: “Layla”
“Layla” tornou-se a grande pérola do álbum por seus riffs iniciais impagáveis, sua letra romântica e um solo estarrecedor, que toma grande parte dos mais de 7 minutos da canção.
Por estar em uma situação complicada entre um grande amigo e um grande amor, Clapton debulhou-se em um período complicado na vida, injetando bastante heroína e ingerindo outras drogas pesadas para tentar esquecer Pattie.
Indiscutível afirmar que essa degeneração emocional foi a força motriz de Layla and Other Assorted Love Songs. Um verdadeiro mergulho no universo emocional de Clapton que deu impulsão para o surgimento de um dos maiores álbuns de todos os tempos.
Derek and The Dominos: “Why Does Love Got to be So Sad?”
