
01 One More Time 02 Aerodynamic 03 Digital Love 04 Harder, Better, Faster, Stronger 05 Crescendolls 06 Nightvision 07 Superheroes 08 High Life 09 Something About Us 10 Voyager 11 Veridis Quo 12 Short Circuit 13 Face To Face
14 Too Long
Gravadora: Virgin
Data de Lançamento: 12 de março de 2001
“Discovery é simplesmente o melhor registro dos bons tempos da década”, resumiu o crítico Tom Ewing, do Pitchfork, na lista dos 200 melhores discos da década de 2000. Nessa disputada lista, o segundo disco do Daft Punk figura a 3ª posição, atrás apenas de Arcade Fire e Radiohead.
Depois de chacoalhar a cena do house em 1997 com o disco Homework, o duo francês Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo retornou com uma estética que sugeria uma evolução, uma entrada triunfal para o novo milênio. Se, naquele momento, as pistas de música eletrônica estavam em um caso de namoro com a techno music, o Daft Punk ressurgiu para mostrar que era possível estabelecer uma conexão indireta com rock, dance, house, disco.
Inicialmente, o álbum foi pensado como trilha sonora do anime Interstella 5555 – no Japão, inclusive, a capa do disco traz os personagens da série. Apesar de algumas publicações verem Discovery como um disco conceitual, esqueça qualquer comparação com um Sgt. Peppers ou Dark Side of the Moon no sentido estético da coisa.
Todas as canções são agitadíssimas: “One More Time”, que deve repousar em um cantinho do cérebro de todos os jovens com mais de 25 anos de hoje, traz os vocais de Romanthony celebrando a festeira com frases curtas, simples e repetitivas (ele também canta em “Too Long”).
Como uma canção que abriga todos os adjetivos favoritos do lugar-comum pode ser tão boa? Há uma fórmula ali que deu certo, uma tenacidade fugaz que faz com que o ouvinte queira esquecer todas as preocupações para simplesmente ‘festejar mais uma vez’.
Então, eis que abruptamente entram os solos esquizofrênicos de “Aerodynamic”, que conecta heavy metal progressivo com disco music, jogando no meio de tudo isso arpeggios de guitarra junto a violinos. “Digital Love”, que entra em seguida, tem sampler de “I Love You More”, de George Duke, e, segundo Homem-Christo, foi construído numa pegada Supertramp com solos de piano elétrico Rhodes.
“Harder, Better, Faster, Stronger” tornou-se em pouco tempo um clássico absoluto. Com um sampler acelerado de “Cola Bottle Baby”, de Edwin Birdsong, a canção de vocais robóticos coloca a música eletrônica na velocidade de um rhytm’n blues. Kanye West ficou agraciado com a música, tanto que a usou como tema de “Stronger”, um de seus maiores sucessos.
O que dizer então de “Crescendolls”, que lembra um episódio do Pica-Pau que mostra um personagem descendo as Cataratas de Niágara com a celebração da plateia: ‘heeeyyyyyy’? Ou de “High Life”, que fragmenta vocais femininos de disco e o coloca numa ladeira vibrante de hard techno? Ou então do ritmo quebrado de “Face to Face”, com vozes e co-produção de Todd Edwards, que provavelmente deve ter inspirado a febre atual do dubstep?
Há também momentos de repouso mental no disco, como em “Nightvision”. Mas, não tem pra ninguém, Discovery é o registro fonográfico com maior capacidade de segurar as pessoas nas pistas. Mesmo quem está cansado de dançar continua balançando a cabeça com qualquer uma de suas 14 faixas.
Ouça a seguir o álbum Discovery na íntegra:
