
The Prodigy de hoje: Keith Flint, Liam Howlett e Maxim Reality. O dançarino Leeroy Thornhill já não faz mais parte do grupo
Hoje em dia, quando se fala do grupo The Prodigy, rapidamente associamos à mistura de música eletrônica com hard rock, característica que ficou praticamente eternizada após o lançamento do disco The Fat of the Land, em 1997. Canções como “Smack My Bitch Up” e “Firestarter” ficaram conhecidas no mundo todo não somente pela trilha do filme As Panteras (2000), mas pelos riffs precisos de “Breathe” e a trilha soturna de “Narayan”.
Mas a verdadeira essência do Prodigy ficou selada com o debut Experience. Liam Howlett, líder e principal compositor do grupo, nomeou o grupo em homenagem ao Moog Prodigy, seu primeiro sintetizador.
Neste disco, ele, o vocalista Maxim Reality, o insano Keith Flint (vocais) e o dançarino Leeroy Thornhill eram personagens futuristas que se completavam com suas habilidades: um era o cientista inteligente que criou tudo (Liam), o outro tinha o poder de uma velocidade ‘maníaca’ (Keith), o outro era um astronauta com fortes aspectos robóticos (Leeroy), enquanto o último tinha a habilidade da oratória (Maxim). Coisa de louco.
A dance music e o drum’n bass foram os alvos iniciais para que o Prodigy conquistasse as pistas: “Charly” tem poucas referências do trip hop, até que entra na velocidade do drum com batucadas que sincronizam com os efeitos nos sintetizadores. A jungle music, ritmo que originou o drum’n bass, é unida ao rock em “Ruff in the Jungle Bizness”, com vocais grossos entrando em colisão com as ligeiras batidas do ritmo. Dançante até o osso, faz com que até os objetos de sua casa entrem em movimento. Quando entra a voz de Simone, então, todas as experimentações da música entram em ebulição, e as inevitáveis gotas de suor fazem os passos valer a pena – por mais esquizofrênicos que eles possam ser.
Os pianos são os principais condutores de samplers que vão do deep house, techno, jungle e drum’n bass ao new wave, punk e rock. “Wind It Up” e “Everybody in the Place (155 and Rising)” são exemplos diferentes de como é possível extrair as batidas eletrônicas com muito vigor e densidade. A primeira começa de forma lenta e é acelerada pelos vocais de Maxim. Já a segunda é um breakbeat levado por batidas pulsantes repletas de brechas para a entrada rápida dos vocais. Jungle fever total!
“Hyperspeed (G-Force Pt. 2)” também evoca a nostalgia nos vocais, mas os grandes destaques estão reservados para “Out of Space” e “Fire (Sunset Version)”, que até hoje inspiram grupos como Infected Mushroom e Justice no encontro das batidas imperfeitas propícias para a dança. (“Out of Space”, inclusive, traz sampler da ótima faixa “I Chase the Devil”, de Max Romeo and the Upsetters, enquanto trata de ‘levar seu cérebro para outra dimensão’.)
Depois de ouvir Experience, você vai saber por que o Prodigy é considerado o grupo de música eletrônica mais influente do mundo. Não é por menos.
