
01 Searching For Mr. Right 02 Include Me Out 03 The Taxi 04 Eating Noddemix 05 Constantly Changing 06 N.I.T.A. 07 Colossal Youth 08 Music for Evenings 09 The Man Amplifier 10 Choci Loni 11 Wurlitzer Jukebox 12 Salad Days 13 Credit in the Straight World 14 Brand New Life 15 Wind in the Rigging 16 This Way (versão em CD) 17 Posed by Models (versão em CD) 18 Clock (versão em CD) 19 Clicktalk (versão em CD) 20 Zebra Trucks (versão em CD) 21 Sporting Life (versão em CD) 22 Final Day (versão em CD) 23 Radio Silents (versão em CD) 24 Cake Walking (versão em CD)
25 Ode to Booker T (versão em CD)
Gravadora: Rough Trade
Data de Lançamento: Fevereiro de 1980
Alguns podem até dizer que é pós-punk, mas a esfera que Colossal Youth habita tá mais pra ‘peixe fora d’água’ que algum outro gênero musical. Num resumo crasso, digamos que é o ponto em comum entre The Velvet Underground/The Doors/Roxy Music, o som da Stax de Booker T. Jones (que é ovacionado na faixa de encerramento da versão em CD, “Ode To Booker T.”), a linha de trip hop difundida pelos vocais de Beth Gibbons no Portishead e, chegando aos nossos tempos, The xx.
É rock em sua forma mais crua e obscura. É uma soul music deturpada de hibridismos. Um punk maduro, em que a agressividade e agilidade se impõem na crua dinâmica em guitarras, órgãos e, mais marcadamente, linhas magistrais no baixo de Philip Moxham.
Em contraste com a beleza extraída pelo Hayman Bass de Philip, seu irmão Stuart Moxham, o principal compositor do Young Marble Giants, faz uso de riffs contínuos de guitarra e uso elaborado de diferentes efeitos no órgão Rickenbacker (um presente dado por sua namorada).
Apenas a audição de duas faixas foi suficiente para que a então recente gravadora independente Rough Trade, de Londres, assinasse um contrato permitindo que o álbum fosse concebido. Com um custo de 1 mil libras, em cinco dias estava pronto o primeiro e único álbum de estúdio dos gauleses.
Colossal Youth é alicerçado em estruturas. A impressão inicial é estarmos diante de um disco puramente de demos. E aí, vale frisar: não tem nada a ver com minimalismo.
É como se o rascunho de uma música pop fosse o bastante para que a banda expusesse seu ideal de juventude madura na voz sublime de Alison Statton – que causou admiração a ídolos como Renato Russo, Kurt Cobain e Courtney Love, que registrou com o Hole sua versão mais apimentada e roqueira de “Credit in the Straight World”, que tem a matadora conclusão: ‘Este é o seu crédito no mundo careta/Deixe seu dinheiro quando morrer’.
A bateria no disco é inexistente – em seu lugar, a banda utiliza uma caixa de som para extrair a síncope em algumas faixas (mais notadamente em “Clicktalk”). Não há uso de solos de guitarra – o instrumento é apenas um apoio, para que o baixo crie tensão e o órgão desempenhe a função de deixar as coisas mais etéreas.
Logo de início, a banda projeta-se para ser parte da ‘juventude não dita’ em “Searching For Mr. Right” para, em seguida, se declarar fora de qualquer rótulo sessentista em “Include Me Out”.
Por mais que circulações no órgão em faixas como “The Taxi” ou “N.I.T.A.” enganem o ouvinte com um paralelo à psicodelia, a intenção do YMG é mostrar que é possível fluir o frescor da juventude com a inteligência tanto intelectual, quanto emocional: ‘A natureza tende à abstração/Para você e para mim’.
Os slaps da faixa-título vão de encontro ao funk, a estrutura de “Music For Evenings” reflete diretamente no que se tornou a new-wave, o violão de “The Clock” é tão caipira quanto qualquer lamento sertanejo pré-Zezé di Camargo e Luciano, “Salad Day” de alguma forma rebateu no psych-folk do Fleet Foxes… Vê como as referências de uma sonoridade que parece simples podem ser mais amplas e intensas do que se pode especular?
O LP original, de 1980, tinha um total de 15 faixas. Na versão em CD, lançada em 2007 pela Rough Trade, houve um acréscimo de 10 canções, incluindo o single “Final Day” e as músicas do primeiro EP da banda: Testcard. Poucas delas beiram a duração de três minutos.
Ainda que possamos direcionar as canções de Colossal Youth para inúmeras frentes musicais, o disco soa como a única alternativa possível de uma banda como Young Marble Giants, que infelizmente não pode estender seu legado.
Naquele momento, os integrantes tiveram algumas diferenças musicais. Stuart Moxham chegou a dizer que se sentia incomodado com a abordagem vocal de Alison, já que a maioria das composições, escritas por ele, tinham teor autobiográfico. Stuart chegou a formar o The Gist no mesmo ano, mas em seguida teve um acidente de moto que o deixou fora da cena musical até 1982. Alison formou o influente Weekend com o guitarrista Spike Williams, enquanto Philip Moxham continuou tocando baixo com bandas como The Communards e Everything But The Girl, além de colaborar com o eterno líder do Pere Ubu: David Thomas.
Em 2007, por conta do relançamento em CD de Colossal Youth, a banda fez um breve retorno para tocar o disco na íntegra. Isso antes de participar de duas edições do All Tomorrow’s Parties, na Inglaterra: em 2009 e no ano passado, a convite de Jeff Mangum, do Neutral Milk Hotel.
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A seguir ouça a versão do LP de Colossal Youth, do Young Marble Giants, na íntegra:
