Gravadora: Delicious Vinyl
Data de Lançamento: 24 de novembro de 1992
Falar de história do hip hop e não citar o The Pharcyde é uma injustiça. O grupo californiano pode ter sido ofuscado naquele longínquo ano de 1992 por grupos como A Tribe Called Quest, De La Soul ou Public Enemy, mas deixou clássicos que até hoje fazem a cabeça de muitos fãs que gostam daquela música de salão, pronta para dançar ou simplesmente para acompanhar junto.
Bizarre Ride II the Pharcyde é um daqueles debuts que entraram para a história – pelo menos para quem acompanha bem a história do rap. O álbum foi produzido por J-Swift que, mesmo tendo trabalhado com Prince posteriormente, chegou a ter uma grande crise pelo consumo de crack.
Depois desse disco do Pharcyde, ele se afastou, alegando que alguns membros do grupo queriam tirar seus créditos pelas produções.
Formado por Imani, Slimkid3, Bootie Brown e Fatlip, o Pharcyde causou grande impacto com o single “Ya Mama” e suas letras bizarras lembrando aquelas zoeiras colegiais, com um aloprando a mãe do outro. Se não fosse tão divertida e não tivesse como base aquele lindo soul blueseiro de cordas da faixa “Season of the Witch”, de Al Green, Mike Bloomfield (um dos maiores guitarristas de todos os tempos na minha opinião) e Steve Stills, a faixa seria apenas uma quimera. Mas se tornou uma quimera que deu certo. Tanto é que, no final dela, todos ficam rindo um do outro.
O disco também é cheio de pancadas. “Passing Me By”, talvez um dos maiores clássicos de hip hop de todos os tempos, faz um flerte com jazz ao utilizar sampler do Weather Report, adequando as rimas ao baixo circular que trafega pelas vias funkeiras.
Outra bem pesada é “Soul Flower”, com barulhos ao fundo que lembram os uivos de um cachorro vadio enquanto os MCs falam sobre alguns acontecimentos que envolviam os negros em um país onde a segregação racial ainda persistia (e continua persistindo).
Em “On the DL”, as baterias dão impulsão junto aos scratches do DJ Mark Luv. Há até um diálogo com a faixa “Black Steel in the Hour of Chaos”, do Public Enemy, na canção “Officer”, que é levada por nada menos que uma das canções mais sampleada de todos os tempos: “Funky Drummer”, de James Brown.
Resumindo: um álbum divertido, com ótimas rimas, samplers magistrais e um vigor invejável.
