
01 Não Compre, Plante! 02 Porcos Fardados 03 Legalize Já 04 Deisdazseis 05 Phunky Buddha 06 Maryjane 07 Planet Hemp 08 Fazendo a Cabeça 09 Futuro do País 10 Mantenha o Respeito 11 P… Disfarçada 12 Speed Funk 13 Muthafuckin’ Racists 14 Dig Dig Dig (Hempa) 15 Skunk 16 A Culpa é de Quem?
17 Bala Perdida
Gravadora: Sony
Data de Lançamento: 1º de abril de 1995
O perigo de se cair no reducionismo ao mencionar o grupo Planet Hemp é muito grande. Se, durante a sua adolescência, você não vibrou ao som de “Legalize Já”, “Mantenha o Respeito” e “Dig Dig Dig (Hempa)”, corre o risco chamar o grupo de apologético pro resto da vida. E não vai estar errado.
Sim, eles apanharam da polícia e tiveram dificuldades em tocar em certos lugares por conta do conservadorismo de algumas cidades nos anos 1990. Fumavam maconha mesmo e justificavam com letras politizadas que iam muito além da rebeldia adolescente: ‘Vendem a sua honestidade para qualquer um/Vestem a farda para conseguir propina/Beijar os pés do superior/Essa será a sua sina’ – quantos policiais não devem ter ficado incomodados com essa letra de “Porcos Fardados”?
Apesar do discurso a favor daquilo que a maioria dos pais gostaria de evitar que os filhos tivessem contato, Planet Hemp não era pura anarquia.
‘Uma erva natural não pode te prejudicar’ – como canta em “Legalize Já” – pode não ser a mais plausível das justificativas, mas quem pode tirar a razão daquele ‘rap core’ de “Futuro do País”, quando Marcelo D2 canta: ‘Filhos bastardos da mesma nação/São crianças, porém não são filhos/Mas eu queria somente lembrar/Que milhões de crianças sem lar/São frutos de um mal que floriu/Num país que jamais repartiu’?
Usuário é um debut poderoso de uma turma que já estava cansada da truculência policial contra jovens que só queriam relaxar e se desviar dos males que haviam no Brasil (que, naqueles anos 1990, não eram poucos, vide o crescimento da dívida com o FMI e os anos de incerteza com o Plano Real). É como diz rapidamente BNegão em “Mantenha o Respeito”: ‘Eu não sou menos digno porque fumo maconha’.
Antes da gravação do primeiro disco, o Planet Hemp teve que superar diversas barreiras – além das que viria a enfrentar nos anos seguintes por conta dos temas das canções. A maior delas era a ausência de Skunk, um dos membro-fundadores (com D2) do grupo, que veio a falecer em 1994 em decorrência de AIDS.
O que injetou gás foi o fato do PH já ter sido consolidada como uma banda de ‘Raprocknrollpsicodeliahardcoreragga’ (como eles adoravam dizer) com a entrada de Rafael Crespo, Bacalhau, Formigão, BNegão, Zé Gonzáles e Black Alien. Sendo assim, o segundo vocal começou a ser feito por BNegão, que aos poucos teve engajamento mais ativo nas composições.
No começo, a ideia inicial era formar uma banda de rock. No entanto, a falta de habilidade de D2 e Skunk em tocar instrumentos fez com que eles abraçassem o rap, que estava em alta naquele tempo.
Acabou que tudo isso foi se misturando aos poucos, e o estilo do Planet Hemp foi se firmando no hard core, mas sem perder a essência do hip hop.
Noutras palavras, caiu numa linha Rage Against the Machine: tão combativo quanto a banda de Los Angeles no que diz às letras, com a diferença de ser bem mais descontraída e lutar por um bem comum à favor da legalização da maconha.
Hoje, 17 anos após o lançamento do primeiro disco e mais de 10 anos com a ‘dissolução oficial’ do Planet Hemp, Usuário ainda é o trabalho mais influente. Depois dele, o PH gravou um EP com remixes (Hemp New Year, de 1996) e os discos Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997) e A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000), além do MTV ao Vivo de 2001.
Foi um chute necessário na porta da depravação que vem do excesso da ‘moral e dos bons costumes’.
Além de todas as mais conhecidas, “Phunky Buddha”, “Maryjane”, “Fazendo a Cabeça”, “P… Disfarçada” e “A Culpa é de Quem?” ajudaram a mostrar aos jovens dos anos 1990 que era necessário abrir a cabeça.
O canabis com certeza ajudaria a fazer isso, mas não quer dizer que, necessariamente, você tenha que ser ‘usuário’ para ouvir Usuário. Faça um esforço para não cair no reducionismo.
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Em 2012, o Planet Hemp vai fazer uma pequena turnê tocando na íntegra o clássico Usuário. As datas são: 28 de setembro (Rio de Janeiro), 29 de setembro (Porto Alegre), 14 de novembro (São Paulo) e datas ainda não divulgadas em Fortaleza e Recife.
Obs: na imagem do início do post, o Planet Hemp em 1995, com Chico Science (atrás) e Jorge DuPeixe (de chapéu), com Black Alien cantando. Eles abriram show pros Beastie Boys nesse dia.
