
01 Oh My Lover 02 O Stella 03 Dress 04 Victory 05 Happy and Bleeding 06 Sheela-Na-Gig 07 Hair 08 Joe 09 Plants and Rags 10 Fountain
11 Water
Gravadora: Too Pure
Data de Lançamento: 30 de março de 1992
O primeiro comentário a ser feito sobre a estreia de PJ Harvey: é um disco poderoso.
Assim que Dry começa, já estamos diante de uma cantora que não tem medo de despir sua sensualidade. Além de sensual, a primeira faixa “Oh My Lover” é uma lenta e despudorada entrega para a ‘sweet thing’ que ficamos sem saber realmente quem é.
Pode ser o rapaz que ela tanto admira, assim como pode ser uma garota, pode ser o ouvinte… Não é bem uma entrega absolutamente feminina – pelo menos, não nos padrões que associamos ao que é feminino. Apenas ‘diga que está tudo certo’, clama a cantora.
Por ter sido lançado em um ano que o grunge estava tomando imensas proporções pós Nevermind e Ten, muitos ouvidos caíram se supetão na obra de Harvey. Até mesmo a MTV viu a possibilidade de incluir “Dress” em sua programação.
Mas não é o ‘tempo certo’ que faz de Dry um estouro. Não é preciso investir tanto para descobrir que estamos diante de uma obra sentimentalmente raivosa. Um rock sedutor – tanto pelos riffs precisos da cantora, como por seus vocais enérgicos sem receio algum de dizer ‘se você colocaaarr!’ (apesar de a letra falar de obscenidade, “Dress” não é tão direto assim como este trecho dá a pensar…).
Alguns anos depois de lançar Dry, PJ Harvey disse que muitas de suas composições daquele tempo sofreram de distorção interpretativa.
Não que o público devesse acreditar na ingenuidade de uma cantora que estava abertamente criticando o ‘fruto proibido’ em “Happy and Bleeding”; mas não há muito furor para achar que a cantora estava rechaçando contos bíblicos a partir de uma letra como “Hair”, que foca na parte do desejo entre Sansão e Dalila. É apenas a manifestação de desejo entre um homem que se vê impotente perante a mulher.
“Plants and Rags” suscita um olhar diferente à rotina de uma mulher. Com o cello de Chas Dickie e o violino rasgado de Harvey, a canção ganha contornos dramáticos ao falar, com resignação: ‘Casa e lar/Quem pensou que poderiam me remover deste lugar?’, mesmo depois de receber ‘boa comida’ e ‘coisas brilhantes’ daquele que lhe prometera uma boa vida.
Duas décadas depois, Dry ainda permanece consistente. O passar dos anos provaram a versatilidade e inteligência de uma artista que se mostra cada vez mais ímpar a cada disco – vide Stories From the City, Stories From the Sea (2000) e Let England Shake (2011).
Se PJ Harvey deve retornar à agressividade de outrora, não cabe mais discutir. O importante é que Dry veio e continua por aí – com a mesma força de sempre!
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A seguir, ouça Dry, da PJ Harvey, na íntegra:
