01 Debaser 02 Tame 03 Wave of Mutilation 04 I Bleed 05 Here Comes Your Man 06 Dead 07 Monkey Gone to Heaven 08 Mr. Grieves 09 Crackity Jones 10 La La Love You 11 Nº13 Baby 12 There Goes My Gun 13 Hey 14 Silver

15 Gouge Away

Gravadora: 4AD/Elektra
Data de Lançamento: 18 de abril de 1989

Este álbum é mais importante do que você imagina. Se hoje você acha que Kurt Cobain foi o último gênio (ou o último ‘cool’) do rock, se você ficou triste com a prévia dissolução do Sonic Youth, se você vibrou que nem louco no show do Foo Fighters no Lollapalooza, se você chorou de rir com esse artigo do Scream & Yell sobre o Coldplay… Acredite, Doolittle influenciou sua vida.

Doolittle é rápido, tenebroso, cheio de vigor, cheio de peso. Noutras palavras, legal pra c*ralho! São 38 minutos de letras e ritmo pra quem adora respirar rock’n roll.

Por mais que a estética nos leve a algo meio adolescente – riffs de guitarra ligeiros e dinâmicos, baixo onipresente e bateria explosiva -, as composições de Doolittle são bem pungentes: fala de sedução como um prazer fatal ao citar Bathsheba, mulher seduzida pelo Rei David que se tornou mãe de Salomão, em “Dead”; genocídio e a resignação hobbesiana de ser homem em “Monkey Gone to Heaven”; sem esquecer de “Wave of Mutilation”, onde o personagem ressurge de um maremoto após um acidente de carro.

Produzido por Gil Norton, iniciante que depois ficou conhecido ao trabalhar com Echo & the Bunnymen, The Distillers e Foo Fighters, Doolittle foi lançado internacionalmente pela Elektra após a frustração de vendas do também ótimo Surfer Rosa, de 1988.

Como todo rock cru de bandas ‘iniciantes’ (este é o segundo álbum do Pixies, sem contar o EP Come On Pilgrim), a gravadora 4AD liberou uma quantia limitada de 40 mil dólares para elaboração do disco. Em três semanas, Black Francis (vocal, guitarra e principal compositor), Joey Santiago (guitarras solo), David Lovering (bateria) e Kim Deal (vocal e baixo) gravaram uma média de uma canção por dia em forma acelerada.

Além disso, havia um pequeno conflito de ideias entre Gil Norton e Black Francis. Norton era mais apegado a algo progressivo, que valorizava a melodia musical. Francis já sabia o que queria e, para resolver o impasse, levou o jovem produtor a uma loja de discos e o apresentou a Buddy Holly, um dos pioneiros do rock’n roll cujas músicas não ultrapassavam três minutos de duração.

Doolittle é mais ou menos como uma adaptação do punk para caminhos alternativos do rock. Os preceitos de deglutição sonora estão lá, junto a letras que balançam entre o niilismo e o cult. Em “Debaser”, por exemplo, talvez o principal hit dos Pixies, Francis disse ter se inspirado em um filme de Salvador Dalí e Luís Buñuel, dois expoentes do surrealismo. No lado absurdo da coisa, temos “Tame”, onde a banda cita a estupidez de uma garota que rebola e traz bons amigos com interjeições vocais entre Francis e Kim que simulam transpirações sexuais.

No disco também caberia canções de conotações mais pop, como é o caso de “Here Comes Your Man”, que provavelmente até a sua mãe deve conhecer. Tudo sugere que ela entrou no disco para que tivesse maior recepção das rádios e das paradas musicais, porque raramente o Pixies tocava esta canção em seus shows. Há uma história de que o comediante Arsenio Hall queria que a banda tocasse “Here Comes Your Man” em seu talk show, mas a banda recusou porque queria mostrar “Tame”. Coisa de roqueiro alternativo: por essa decisão, não tocaram na TV!

Em 2003, o semanário britânico NME o nomeou o 2º melhor disco de todos os tempos. A Rolling Stone o colocou na sua etérea lista de 500 discos mais importantes da música e o Pitchfork chegou a declarar que, “se não fosse por Doolittle, não existiria Pitchfork”.

Você pode não concordar com nenhuma dessas seleções, mas não pode negar uma coisa: Doolittle é um p*ta de um discão!

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A seguir, ouça Doolittle, do Pixies, na íntegra: