
01 Hold On, Be Strong 02 Return of the G 03 Rosa Parks 04 Skew It On the Bar-B 05 Aquemini 06 Synthesizer (ft. George Clinton) 07 Slump 08 West Savannah 09 Da Art of Storytellin’ Part 1 10 Da Art of Storytellin’ Part 2 11 Mamacita 12 SpottieOttieDopaliscious 13 Y’All Scared (ft. T-Mo, Khujo & Big Gipp 14 Nathaniel 15 Liberation (ft. Cee-Lo Green & Erykah Badu)
16 Chonkyfire
Gravadora: LaFace
Data de Lançamento: 29 de setembro de 1998
Mal começou o ano e o retorno do Outkast já é a grande comemoração no pop atual. E, já que estamos marcando o retorno da seção #Grandes Álbuns em 2014 após um breve recesso com as listas de final de ano, nada mais oportuno que mencionar um de seus discos mais elogiados.
Apesar de Aquemini constar em quase todas as listas de álbuns essenciais dos anos 1990, este é o disco em que as características do Outkast são mais ofuscadas.
Se hoje o duo é celebrado por transformar o hip hop em um campo livre e, ainda assim, marcadamente pop, na época do terceiro disco Andre 3000 e Big Boi aproximaram-se mais de George Clinton e Prince que de qualquer outro rapper da Geórgia.
O soul-funk ‘groovalicious’ pavimentado em Aquemini não só mostrou uma intersecção com o som ‘gangsta’, como fez uma espécie de junção entre psicodelia, pop e P-Funk, adquirindo a noção própria do que seria alastrado como G-Funk (e a letra de “Return of the G” ganha mais sentido após tal constatação).
Clinton, claro, aprovou. Ele participou do funk torto “Synthesizer” com sua ‘lógica esfuziante’ sobre guitarras de Sly Stone. Fisicamente ele pode não estar nas outras 14 faixas, mas sua influência cósmica também paira em “Slump” e “SpottieOttieDopaliscious”, onde Sleepy Brown faz valer o codinome sonolento com um soul arrastado sobre percussões e metais que se aquietam solenemente.
“Rosa Parks” é claramente a mais conhecida em círculos não tão próximos do grupo. Seria ela que daria o direcionamento estético que eclodiu em Stankonia (2000), mas até hoje a faixa carrega um fardo pesado: de colocar o Outkast em alvo de processo pela própria Rosa, símbolo dos direitos humanos nos Estados Unidos. Ela disse que não queria seu nome no meio de uma linguagem tão vulgar, mas nada impediu que a música chegasse nas paradas R&B da Billboard (apesar de só obter reconhecimento pleno depois do engrandecimento do Outkast pós-“Ms. Jackson”).
“Da Art of Storytelling (Part 1)” carrega elementos parecidos do grande single de Aquemini. Não só o carrega, como o trabalha de forma mais elaborada. Seria o gangsta-smooth, tão suave como seguro e original. ‘It’s like that’, eles cantam no refrão.
E é nesse jeitinho que eles abraçam Cee-Lo Green e Erykah Badu quando eles eram meros girinos em “Liberation”, uma canção de mais importância hoje, devido ao sucesso de cada participante, que há 15 anos atrás. Estabelecendo as ‘linhas finas’ entre sentimentos, histórias e crenças, eles expandem a proposta aos ritmos negros.
Porque, em Aquemini, o hip hop não está separado do R&B, do soul, do P-Funk ou da sensualidade. ‘Nada é por certo/Nada é com certeza/Nada dura para sempre’, preconiza a dupla na faixa-título. Esse termo ganharia outras conotações com o passar dos anos, mas no caso específico de Aquemini, a prova é de que o frescor experimental no hip hop foi mais duradouro do que o Outkast poderia imaginar.
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A seguir ouça Aquemini, do Outkast, na íntegra:
