
01 Ole Man Trouble 02 Respect 03 A Change Is Gonna Come 04 Down in the Valley 05 I’ve Been Loving You Too Long 06 Shake 07 My Girl 08 Wonderful World 09 Rock Me Baby 10 Satisfaction
11 You Don’t Miss Your Water
Gravadora: Volt/ATCO
Data de Lançamento: 15 de setembro de 1965
O mais conhecido disco de Otis Redding é um disco quase de covers. E aí, alguns desavisados podem se perguntar: por que ele foi tão importante na cena musical dos anos 60?
Vamos lá.
Otis Blue: Otis Redding Sings Soul é considerado o terceiro registro na discografia oficial de Otis, mas foi o primeiro trabalho em que o cantor se sentiu livre para colocar suas ideias.
Quando lançou seu primeiro disco, Pain in My Heart, em 1964, a Billboard ainda não tinha classificado o gênero soul em suas paradas. O debut trouxe alguns clássicos de toda a soul music, como “These Arms of Mine” e “Security”, que foram escritas pelo próprio músico. Em The Great Otis Redding Sings Soul Ballads, o segundo álbum, o cantor trouxe a força de sua voz para canções mais sentimentais, com destaque para “Mr. Pitiful” e “Chained and Bound”.
Como já virou costume em trabalhos anteriores, ele sempre trazia alguma homenagem ao seu maior ídolo musical, Sam Cooke – algo que Otis direcionou ainda mais no terceiro disco, uma vez que Cooke havia falecido tragicamente em dezembro de 1964 após um tiroteio num motel.
O que caracterizava Otis Redding era sua potência vocal, que inclusive serviu de inspiração para Mick Jagger. Reza a lenda que a canção “Satisfaction”, também gravada por Otis neste disco, foi escrita por Mick e Keith Richards pensando em um vocal parecido com o soulman. O registro feito por Otis neste disco ficou tão esplêndido, que teve um jornalista que acusou os Stones de plágio.
(Sem deixar de mencionar o fato que o cantor canta ‘satis-FASHION’ ao invés de ‘satis-faction’. Mas, não importa, o resultado continua impressionante.)
Todo o disco Otis Blue foi gravado nos dias 9 e 10 de julho de 1965 em um período de 24 horas no estúdio da Stax Records, que dominava um dos maiores catálogos de soul e R&B.
Não tinha como dar errado: o disco era repleto de hits que ganharam um ímpeto ainda mais poderoso na voz de Otis Redding. “A Change Is Gonna Come”, “Shake” (com uma bateria intensa de Al Jackson Jr.) e “Wonderful World”, que formam o seu tributo a Sam Cooke, ganharam arranjos mais rock’n roll por parte da sessão dos instrumentistas, formada pelo Booker T. & the MGs e Isaac Hayes, que também receberam os créditos pelo segundo disco de Otis.
Steve Cropper, guitarrista dos MGs, selou uma sintonia quase infalível com o cantor: ele trazia riffs perspicazes que, quando você menos percebia, se transformava em solos de curto espaço que davam elegância à canção. Isso se apresentava tanto em canções mais vigorosas, como “Rock Me Baby” (de B. B. King), como a linda balada “My Girl”, canção escrita por Smokey Robinson que ganhou sucesso na versão dos Temptations um ano antes deste disco.
Um dos grandes desafios também de Otis foi criar uma versão para “Down in the Valley”, do gigante Solomon Burke (ou The King of Rock’n Soul, provavelmente um dos maiores cantores de todos os tempos). A versão de Otis não deve em nada no quesito ‘alcance vocal’, mas o cantor foi bem esperto em diminuir a velocidade do tempo da canção, para que recebesse uma melodia mais profunda. Não que ela seja melhor que a versão de Solomon; mas conseguiu deixar registrado o diferencial (mesmo em um cover) de Otis Redding no campo da soul music.
Do repertório do próprio Otis: “Ole Man Trouble”, que abre o disco; “I’ve Been Loving You Too Long”, escrita em parceria com Jerry Butler e levada em um clima meio country, meio balada, que poderia muito bem ter sido registrada no disco anterior; e “Respect” que, apesar da bela versão, ficou eternizada mesmo foi na voz flamejante de Aretha Franklin no ano seguinte.
Otis Redding é uma das maiores forças vocais da história da música. Ele sabia traduzir a dor, a alegria, a festividade, a reflexão e a contemplação com uma voz indefectível. Tudo em sua volta soava brilhante: a música, o cover, a cena, a sessão instrumental, os arranjos, a audição.
Ouvir Otis Redding é lindo. E, em Otis Blue, você percebe toda a essência deste músico brilhante que infelizmente partiu cedo demais.
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Ouça Otis Blue, de Otis Redding, na íntegra:
