01 Stigmata02 The Missing03 Deity04 Golden Dawn05 Destruction06 Hizbollah07 The Land of Rape and Honey08 You Know What You Are09 I Prefer10 Flashback

11 Abortive

Gravadora: Sire Records
Data de Lançamento: 11 de outubro de 1988

Há quem sustente uma possível rusga entre Al Jourgensen e Trent Reznor. Antes de formar o Nine Inch Nails, Reznor passou por poucas e boas como roadie do Revolting Cocks, um dos projetos de Jourgensen.

Essa rusga dá vazão a uma possível competição entre o NIN e o Ministry. Bom, isso é só parte de um mito. Jourgensen declarou abertamente em seu livro de memórias: ‘Eu amo Trent’.

É inegável a associação de discos como Pretty Hate Machine (1989) ou The Downward Spiral (1994) como obras fundamentais do industrial, mas foi graças ao Ministry que a eletrônica passou a ser incorporada pelo metal com ousadia e muito, muito barulho.

Jourgensen gostava de barulho, mas nos primeiros discos com o Ministry cambaleava entre a new-wave e vocais muito mais calmos do que evocaria tempos depois nos palcos. Assim, lançou With Sympathy (1983) e Twitch (1986).

Numa turnê da banda, conheceu o baixista Paul Barker (então membro do The Blackouts) e teve a ideia de testar como ficaria tocar metal pesado numa bateria eletrônica. Isso estimulado, ainda, pela turnê feita anos antes com o Front 242, além dos trabalhos com sintetizadores pesados feitos com o supergrupo Revolting Cocks.

Para materializar o que imaginara, Jourgensen chamou Bill Rieflin, também dos Blackouts, para os teclados. Chris Connelly ficou nos vocais de apoio.

Claro, tudo mudou. Vozes guturais, atemorizantes. Riffs firmes, samples que nos remetem à violência. Bateria ultra acelerada.

Mas são os efeitos saturadíssimos, estes sim, o grande trunfo de The Land of Rape and Honey. Junto à voz agressiva de Jourgensen, o álbum fez o Ministry tomar a definitiva direção de ser precursor de uma nova forma de se fazer metal, ao invés de seguir no pastiche até então seguido pela eletrônica. Um novo primeiro disco, digamos assim.

E já começa pesado. “Stigmata” fala de bate-pronto que ‘a única verdade que conheço é o olhar de seus olhos’. Romântico? Pemba nenhuma! “Stigmata” é dono de um peso esfuziante que joga efeitos híbridos em torno do metal. Forte como um martelo, que prossegue em ação no inevitável pogo de “The Missing” e na clássica dos headbangers “Deity”, onde o instrumento de Rieflin dá pano de fundo aos vocais defasados de Jourgensen.

Em “Golden Dawn” o Ministry ensaia uma sonoridade mais rítmica. Prepondera ao fundo uma suposta alternância de efeitos, muito bem catalisado por Jourgensen ao trabalhar com o produtor Adrian Sherwood, em Twitch. Esse jogo sônico, quase anárquico, se faria muito presente no importantíssimo Streetcleaner (1989), de Godflesh. Com o Ministry, no entanto, o elemento improvável sempre nos desperta atenção. Assim como se fossem pipocos, é a esse ‘elemento’ que o ouvinte é apresentado em “Destruction” e surpreendido na ótima “I Prefer”.

A faixa-título parece o grito desesperado de quem passa pelos piores momentos no purgatório. ‘Passo a passo/Você escala a montanha/Você reza’, urra, talvez com a certeza de que não iremos distinguir o que ele quer dizer.

“You Know What You Are” mostrou a batida que mais seria utilizada por Reznor daí em diante. Ela possui o escopo do industrial e, talvez por coincidência, atesta as vísceras que nos anos seguintes tornariam intrínsecas ao gênero: ‘Ignore a dor/Ignore o terror/Nós vimos as lágrimas/Perdidas nos olhos deles’. Percepção e transtorno se amealham. O que se propaga como industrial, como seus principais expoentes tanto negam, são mais artifícios sensoriais que técnica pré-concebida.

O baque de Jourgensen erigido em The Land of Rape and Honey foi ainda mais complexo que sua coleção de histórias doidivanas.