
01 Safe From Harm 02 One Love 03 Blue Lines 04 Be Thankful for What You’ve Got 05 Five Man Army 06 Unfinished Sympathy 07 Daydreaming 08 Lately
09 Hymn of the Big Wheel
Gravadora: Virgin
Data de Lançamento: 8 de junho de 1991
“O que estávamos tentando fazer era criar uma dance music para as mentes mais que para os pés”, disse o membro do Massive Attack Daddy G sobre o debut Blue Lines, lançado em 1991.
Oriundos da obscura cena de Bristol, na Grã-Bretanha, o Massive Attack surgiu no final dos anos 1980, tendo como principal influência o hip hop.
Em 1988, eles lançaram o single “Any Love”, com produção da dupla Smight and Mighty, que trazia um compasso de dança de salão na nostálgica voz de um músico local chamado Carlton.
Entretanto, para o primeiro disco, eles captaram a densidade que o hip hop poderia proporcionar, criando um gênero downtempo mais melódico, mais soul e até mais eletrônico, com beats minimalistas e scratches que iriam mais contribuir para a linearidade das canções do que surgir como um ato repentino de virtuose dos DJs – característica usual do hip hop nos anos 1990.
Daí nasceu o trip hop, uma vertente mais experimental da música eletrônica que retrabalhava, além dos gêneros citados acima, R&B, jazz e funk. Havia também outras influências distintas que entrariam nessa corrente, como Brian Eno (“Blue Lines”), fusion (“Safe From Harm” traz sample de “Stratus”, do gigante baterista Billy Cobham), dub (“Five Man Army”, clara influência dos Upsetters, de Lee ‘Scratch’ Perry), entre muitos outros.
Quando o grupo lançou Blue Lines, provavelmente não tinha ideia alguma da enorme influência que viria posteriormente.
Enquanto a música pop celebrava a explosão do britpop e do grunge, nos calabouços do underground uma cena se solidificava aos poucos.
Pra ser bem direto, não fosse o primeiro disco do Massive Attack, não teríamos Dummy (Portishead), Maxinquaye (Tricky), Big Calm (Morcheeba) ou mesmo Endtroducing… (DJ Shadow), usualmente citado como um dos 10 melhores álbuns dos anos 1990, ou, ainda, Untrue (Burial), o arrebatador registro que originou o dubstep.
Curiosamente, Blue Lines só foi pra frente por conta de dois membros que, depois do disco, decidiram abandonar o projeto por não terem sido devidamente reconhecidos: Shara Nelson, dona daquela voz de diva refutada e melancólica que domina com seu canto introspectivo em “Unfinished Sympathy”, uma das melhores músicas de toda a carreira do Massive; e Tricky, que participa de diversas faixas do álbum, incluindo os vocais da faixa-título, um downtempo levado por uma bateria rítmica sampleada de Tony Scott. (Hoje, os únicos membros permanentes são Robert “3D” Del Naja e Grant “Daddy G” Marshall.)
Blue Lines é uma grandiosa pérola meditativa. “One Love”, que tinha tudo para ser uma baladinha enferma, é levada a outros patamares devido ao teclado de curta melodia e os sopros interestelares da estupenda “Ike’s Mood I”, de Isaac Hayes, que surgem como flashes na canção (nela, vemos mais uma referência do fusion com o sampler de “You Know You Know”, do primeiro disco do Mahavishnu Orchestra).
Poderosa também ficou a versão de “Be Thankful For What You Got”, que selou a proximidade do trip hop com a soul music inspiradora e calma de William DeVaughn, que a registrou em 1972.
Logo no primeiro disco, o Massive Attack já viria a selar uma parceria que só lhe rendeu ótimos frutos até agora: os vocais do jamaicano Horace Andy, ícone do reggae que participou, aqui, em “One Love”, “Five Man Army” e “Hymn of the Big Wheel” (ao longo da carreira do Massive, ele cantaria em várias outras).
A última canção do disco, “Hymn of the Big Wheel”, é a que melhor reflete os caminhos que o grupo seguiria com os posteriores Protection (1994) e Mezzanine (1998), que explorariam referências mais espaciais e até experimentais dentro do trip hop com a distinta (e profunda) propriedade do Massive Attack.
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Em comemoração aos 21 anos de Blue Lines, a gravadora EMI vai relançar o álbum com uma versão deluxe e remixada, que deve ir às lojas a partir de 19 de novembro.
