01 Meeting the Spirits 02 Dawn 03 Noonward Race 04 A Lotus On Irish Streams 05 Vital Transformation 06 The Dance of Maya 07 You Know, You Know

08 Awakening

Gravadora: CBS/Columbia
Data de Lançamento: 14 de agosto de 1971

Para uma ideia mostrar sua força e conquistar adeptos, ela precisa de seguidores. Quando Miles Davis criou o fusion a partir de sua característica musical de juntar o inesperado e ampliar o campo sonoro abordado pelo jazz, críticos e outros jazzistas achavam que isso era só coisa de Miles: pegar gente jovem virtuosa que tem ligação com o rock e apertar o play para jams quase ininterruptas e, disso, selecionar trechos gigantescos e lançá-lo como um disco. De que outra forma você acha que foi concebido In A Silent Way, Bitches Brew, Live-Evil?

John McLaughlin, que pode ser considerado o principal guitarrista de fusion jazz, ganhou destaque por mostrar solos perpendiculares à esquizofrenia musical suscitada por músicos do porte de Herbie Hancock, Jack DeJohnette, Wayne Shorter, Miles, entre outros feras. Ele tocou em todos os três discos do trompetista citado no primeiro parágrafo – apesar de muitas vezes não entender onde Miles queria chegar.

E aí ele criou o Mahavishnu Orchestra, talvez inspirado pelo flerte oriental de Bitches Brew. É que Mahavishnu tem o significado de ‘divina compaixão, poder e justiça’, concepção aprendida com o guru indiano Sri Chinmoy.

A primeira formação foi marcada pela globalização dos integrantes: McLaughlin era britânico, o baterista Billy Cobham era do Panamá, o pianista Jan Hammer nasceu em Praga (Rep. Tcheca), o violinista Jerry Goodman veio de Chicago e o baixista Rick Laird, da Irlanda.

Todos os oito temas instrumentais foram compostos por McLaughlin, mas sua guitarra nem sempre é o maior destaque. Em “Vital Transformation”, por exemplo, ele puxa uma espécie de rock progressivo acelerado, urgente. Mas é a bateria onipresente de Cobham que parece flamejar a ponto de parecer que a própria música vai explodir.

“Meeting the Spirits”, que abre o disco, tem um início que agradaria bastante Robert Fripp e soa bem flutuante no início, até que o violino elétrico de Goodman toma a frente e parece formar um confronto com o piano – também elétrico.

Durante a gravação de”Noonward Race”, uma das música mais aceleradas que você pode ouvir, houve um contratempo que acabou contribuindo para que McLaughlin pudesse estruturá-la. Lair e Goodman não iam muito com a cara um do outro e acabaram brigando durante as sessões e atingiram o piano de Jan Hammer. Neste momento, McLaughlin e Cobham continuaram tocando em um volume altíssimo e entraram em perfeita sintonia. O efeito dos dois em choque com o piano acabou entrando também, por dar uma ideia de conflito e embate que têm tudo a ver com a rapidez da música.

Em suma, The Inner Mounting Flame agrada mais jovens que gostam de rock do que jovens mais ligados à linha tradicional do jazz. Nele, há mais proximidade com King Crimson e Yes do que Charles Mingus, Thelonious Monk ou George Benson. De qualquer forma, a maior contribuição deste disco é evidenciar o fusion como um gênero.

O Mahavishnu deu autenticidade e moldou à sua maneira o legado de uma das fases mais interessantes de Miles Davis.