
01 Immigrant Song02 Friends03 Celebration Day04 Since I’ve Been Loving You05 Out on the Tiles06 Gallows Pole07 Tangerine08 That’s the Way09 Bron-Y-Aur Stomp
10 Hats Off to (Roy) Harper
Gravadora: Atlantic
Data de Lançamento: 5 de outubro de 1970
“Stairway to Heaven”, “Whole Lotta Love”, “Dazed and Confused”, “Kashmir”… Nenhum destes grandes hits figuram em Led Zeppelin III. Na verdade, quase nada deste disco se aproxima em termos estéticos das mais conhecidas canções da banda britânica.
Led Zeppelin III ficou famoso por ser o ‘disco acústico’ do Led Zeppelin, mas a principal característica é dar uma nova abordagem à influência folk e blues norte-americana.
Robert Plant aprimora falsetes vocais, mas soa mais firme que nos discos anteriores quando o assunto é precisão técnica. “Friends” é elementar nesse sentido: levada ao violão e percussão, mostra Plant delineando sua voz, exagerando, dando nova abordagem ao alto patamar já edificado nos álbuns anteriores.
“Celebration Day” é um dos poucos momentos em que Jimmy Page (guitarra), John Paul Jones (baixo) e John ‘Bonzo’ Bonham (bateria) tecem a sonoridade base do Led. Predomina, no entanto, o riff subvertido criado por Page, permeando e sobrepondo aos vocais de Plant.
Depois de uma turnê exaustiva por diversas cidades dos Estados Unidos dos dois primeiros discos, a banda se enfiou numa casa bem remota no País de Gales e voltou-se a uma musicalidade mais orgânica
É inegável que a estrutura de “Since I’ve Been Loving You” se deva quase completamente às muitas versões de “Stormy Monday” – composição de T-Bone Walker que ganhou notáveis interpretações de Allman Brothers Band e Eric Clapton. Claro que a progressão harmônica é determinante, mas talvez Plant quisesse entrar na brincadeira de testar suas técnicas vocais no gênero que mais exige da emoção de seus intérpretes. “Since I’ve Been Loving You” pode ser considerado o take de blues mais bem-sucedido do Led Zeppelin: não pela originalidade, mas certamente pelo ímpeto musical. (Sim, os roqueiros colegiais tinham que captar a importância disso na música do Led Zeppelin.)
Pela letra, “Gallows Pole” não precisaria ser tão longa. O violão de Page puxa a insistência vocal de Plant numa letra que muito me lembra o sentimento de Jean Valjean, da obra-prima Os Miseráveis (Victor Hugo), quando foi forçado a ir às galés por simplesmente roubar um pão. A inspiração, no entanto, veio de uma balada folk chamada “The Maid Freed from the Gallows”, de Francis James Child, que conta a história de uma mulher que escapa da execução após subornar um carrasco. A versão dos Zeps é mais cruel, pois a prisioneira, além de dar o dinheiro, é morta.
Se “Tangerine” é considerado um hit do Led Zeppelin, é um de seus mais estranhos. A abordagem melancólica antecipa o que a banda entregaria em “Stairway To Heaven”, mas só na levada inicial. Page deu um tratamento ondulado ao bluegrass, interpondo efeitos no que é considerado tradição da música norte-americana. O refrão bem que poderia ser entoado com mais vigor, mas aí a banda apelaria para o seu divã musical. Esse ar defeituoso, brevemente desleixado, quase country, é que traz autenticidade à canção.
Há um motivo natural que levou os Zeps a mudar os ares de sua música. Depois de uma turnê exaustiva por diversas cidades dos Estados Unidos dos dois primeiros discos, a banda se enfiou numa casa bem remota no País de Gales, chamado Bron-Yr-Aur – que, inclusive, dá nome a uma composição do disco. Longe de todos os aparatos de estúdio e em um ambiente que mal tinha eletricidade, os músicos voltaram-se para execuções mais orgânicas. Plant disse que, para compor, inspirou-se bastante em representantes do folk britânico, como Davey Graham e Bert Jansch.
As sessões do disco foram registradas numa mansão em Hampshire, chamada Headley Grange, e foram concluídas no Olympic Studios, em Londres. A produção foi de Jimmy Page.
Ah… E como falar de Led Zeppelin III sem mencionar o impacto de “Immigrant Song” e da vibrante “Out On the Tiles”? Talvez elas sejam as verdadeiras pontas de lança, para que o disco não se materializasse uma profunda decepção por escapar da vertente hard-rock solidificada em Led Zeppelin I (1969) e Led Zeppelin II (1969).
Mas, peraí…
Se “Friends”, “That’s the Way”, “Gallows Pole” e “Tangerine” são fracas no repertório dos Zeps, passou da hora de você rever a verdadeira essência da música destes britânicos.
