
01 A Novidade 02 Tenho Sede 03 Refazenda 04 Realce 05 Esotérico 06 Drão 07 A Paz 08 Beira-Mar 09 Sampa 10 Parabolicamará 11 Tempo Rei 12 Expresso 2222 13 Aquele Abraço 14 Palco 15 Toda Menina Baiana
16 Sítio do Picapau Amarelo
Gravadora: Warner
Data de Lançamento: 10 de agosto de 1994
Estava viajando de São Paulo para Santa Catarina em alta temporada para relaxar, quando deparei com um trânsito caótico na Rodovia Régis Bittencourt, já próximo do Paraná. Junto comigo, mais quatro bons amigos. Não se pode beber (álcool) na estrada, então, quando os assuntos acabam, temos que recorrer a uma boa música. Por sorte, havia um Unplugged na caixa de CDs. Não de Nirvana, Alice in Chains, Legião Urbana, Zeca Pagodinho ou Ira! (todos eles muito bons, diga-se de passagem). Era de Gilberto Gil.
Condensar a obra de Gilberto Gil em um CD é bem complicado – mais ainda em um texto, o que não é a minha pretensão de fazer. Neste acústico preparado pela MTV, o músico mostrou sua fase mais pop, descontraída, brasileira mesmo. Ali tem “Esotérico”, mas nada dos esoterismos de “Marginália”, “Morre o Burro, Fica o Homem” ou “Essa é Pra Tocar no Rádio”.
A maior contribuição deste álbum ao vivo gravado em 1994 é mostrar aos brasileiros o poder da música de Gilberto Gil. A mensagem é clara, direta e abrangente: com Unplugged, você descobre facilmente por que temos que ovacionar um artista como ele.
“Refazenda”, que fala da proximidade do homem com a natureza e de sua semelhança com os bichos, soa como uma reação natural que qualquer pessoa teria sobre o assunto. Mas não é bem assim; antes dessa versão ao vivo, tenho dúvidas se os jovens colocariam esta canção em um repertório de boteco com aqueles arranjos orquestrais da versão original de 1975, com um violão sertanejo cheio de notas complexas.
Bonito também foi o resultado de “Esotérico”: Gil começa se entregando ao seu violão, até que começa o assobio emblemático carregado daquele ‘mistério’ que ‘sempre há de pintar por aí’, como ele canta em seguida. Certamente essa canção vai te deixar refletindo – refletindo não apenas sobre a letra, mas também de como uma música pode carregar tanta beleza através da simplicidade.
Neste registro, ele também mostrou “Tempo Rei”, do disco Raça Humana (1984), que exibe todas aquelas facetas que Gil faz questão de entregar ao público: sua paciência, seu carisma, uma certa proximidade com o brasileiro religioso…
Em “Sampa”, canção famosa de Caetano Veloso, Gil dá um tom ainda mais empírico. Ele, que tem muito mais a ver com o jeca e o migrante nordestino que vem tentar a vida na cidade grande, traz um tom intimista que, com a adição de violões e baixos tensos, torna-se ainda mais dramática. Se, hoje em dia, adoro essa música, pode ter certeza que é por causa desta linda versão.
De todas as 16 faixas – das quais dá pra passar batido por “Sítio do Picapau Amarelo” -, destaque também para “A Paz” (parceria com João Donato), “Drão”, “Parabolicamará”, “Tenho Sede” e “Palco”.
Naquela viagem, o engarrafamento atrasou minha chegada em 4 horas. Mas, acredite, ela foi extremamente agradável graças à grata novidade de ter, pela primeira vez, um contato com esse lindo disco. Obrigado, Gil.
ERRATA
• A canção “Tempo Rei” faz parte do álbum Raça Humana. Não é um registro inédito, como estava anteriormente.
