Mesmo que não seja um nome assim tão conhecido no rap nacional, Roger Deff está na ativa desde a produtiva cena dos anos 1990, cantando no grupo Julgamento. Diretamente de Belo Horizonte (MG), ele é daqueles músicos que acreditam que fronteiras geográficas não devem existir quando se fala de música.
Com o Julgamento, Deff cantou nos álbuns No Foco do CAOS (2008) e Muito Além (2011), alimentando uma cena que envolve músicos como Djambê e Radial Thee.
Além destes trabalhos, Deff dividiu palcos com o notório Marku Ribas (percussionista que já fez turnê com os Rolling Stones), Flávio Renegado e Negra Li.
Com estas credenciais, Roger Deff prepara um EP solo, propondo, como diz, “outros olhares e questionamentos sobre o dia a dia, sobre nossos posicionamentos e a consequência dos mesmos, ignorando rótulos e lugares estabelecidos”.
O EP será intitulado Segue o Fluxo e terá produção do guitarrista Daniel Saavedra. “Fazer parte de uma banda, de um grupo, é muito bom, mas eu precisava encontrar minha própria voz e experimentar um projeto em que eu tivesse mais controle sobre o produto final”, disse o músico.
Com exclusividade ao Na Mira, Deff lança o single homônimo deste EP que, além da produção de Saavedra, traz scratches do DJ Flávio Machado e o músico Luiz Prestes no baixo. Segue o Fluxo deve ser oficialmente lançado em 2016.
Ouça no player abaixo e confira a entrevista com o rapper a seguir:
Por que decidiu seguir carreira solo após carreira com o Julgamento?
Fazer parte de uma banda, de um grupo, é muito bom, mas eu precisava encontrar minha própria voz e experimentar um projeto em que eu tivesse mais controle sobre o produto final. Como o Julgamento deu uma pausa em 2014, vi que esse seria o momento de encarar essa nova empreitada. Ao mesmo tempo, em um trabalho solo eu teria maiores condições de ir para direções diferentes, o que nem sempre é possível em uma banda com identidade tão definida, oito integrantes e 20 anos de história, como é o caso do Julgamento.
Embora eu seja rapper há bastante tempo, o trabalho atual ainda está nascendo, e acho que contribuo para toda essa diversidade que é a cena local [em BH].
Qual a influência do próximo disco?
O trabalho é muito influenciado pela black music e o rap produzido nos anos 90, pela sonoridade de artistas como Digable Planets e Beastie Boys. Mas são apenas referências, a ideia é que o disco siga um caminho próprio, podendo beber de várias fontes sem tentar emular nenhuma delas. Já os temas vão de questões sociais contemporâneas, como intolerância, desigualdade e até mesmo reflexões mais pessoais sobre a vida cotidiana.
Acredita fazer parte de uma cena efervescente do rap em Minas? Como a sua obra se coloca nesse cenário?
A cena do rap em Minas é muito sólida, tanto pelos artistas quanto pelos eventos realizados. Só em Belo Horizonte temos uma gama enorme de bons trabalhos, que dialogam com públicos muito variados, a exemplo do Radical Tee, Dokttor Bhu e Shabê, Flávio Renegado, Zimun, Das Quebradas, Coletivo Dinamite, Douglas Din, Zaika dos Santos entre outros. Embora eu seja rapper há bastante tempo o trabalho atual ainda está nascendo, e acho que contribuo para toda essa diversidade que é a cena local.
Qual a verdadeira inspiração do trabalho?
É mais fácil falar em ‘inspirações’, no plural mesmo. No fim das contas são muitas coisas que influenciam, e a gente acaba trazendo isso para o trabalho. A literatura é uma fonte de inspiração pra mim, Ferrez, Machado de Assis, Lima Barreto, até letristas como Marcelo Yuka e Chico Buarque, a postura do Public Enemy e a energia do Nação Zumbi, que acompanho desde a época do Chico Science. De certa forma, tudo isso está presente no trabalho, seja nas letras ou no som.
