Citado no Music Alliance Pact de junho como uma das grandes referências do rock brasileiro, o Eskimo lançou recentemente o disco Felicidade Interna Bruta investindo em múltiplas referências que vão do samba-rock ao ska, em um trabalho que poderia ser considerado arriscado, não fosse tão bem executado.
E uma das grandes mentes por trás do Eskimo é ninguém menos que Patrick Laplan, multiinstrumentista que já tocou baixo com os Los Hermanos e o Biquini Cavadão.
Em entrevista por e-mail ao Na Mira do Groove, o músico que mora no Rio de Janeiro falou sobre os membros não-permanentes da banda, as expectativas da turnê que se inicia em agosto, como anda o rock nacional atualmente. Ah, e ele contou também como foi processo de gravação de FIB. Confira a entrevista a seguir:
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Como surgiu a ideia de montar o Eskimo?
Depois que você descobre seu ofício, a cabeça nunca mais para. Num dado momento, algumas ideias se conectam e você as coloca dentro de uma grande caixa de papelão colorida, e a batiza. O processo não é uma escolha ou ideia, é uma necessidade. A criação nem sempre é tão glamourosa quanto parece, as vezes é um fardo. O Eskimo é minha Miss Universo das caixas de papelão coloridas.
“O Eskimo não tem nenhum membro fixo, nem mesmo eu. Um músico não estar gravando, não ter gravado, ou não estar fazendo os shows, não exclui o fato de ser um membro do grupo”
Por ser um projeto tocado, principalmente, por você e Cauê Nardi, como foi feita a seleção dos demais músicos para gravar Felicidade Interna Bruta? Em turnê, irá tocar Dudu Miguens, Fabrizio Iorio e Diego Laje?
O Eskimo não tem nenhum membro fixo, nem mesmo eu (por mais estranho que isso seja). O Dudu Miguens (‘Quindim’,na guitarra) veio anos antes do Cauê, e com certeza é um Eskimo. Uma pessoa não estar gravando, não ter gravado, ou não estar fazendo os shows, não exclui o fato dela ser um membro. O Alexandre Griva (engenheiro de som), o Vitu (arranjador de cordas), Felipe Barros (arranjos e violão de 7 cordas) são Eskimos. É como uma máfia, que tem seu estandarte carregado por uns poucos, os que fazem os shows. O conceito sempre foi não estar amarrado a nada, e por isso optei por não ter nenhuma cadeira cativa em termos de pessoa. Isso dificulta demais o começo do processo e isso sempre foi muito bem explicado a todos os envolvidos. Tivemos o luxo de contar com “pequenos gênios” no disco, mas que às vezes são pessoas mais difíceis de lidar no dia a dia. Fiquei honrado com a dedicação que foi dada ao FIB, principalmente ao Pedro Mibielli, que gravou todas as cordas.
Falando em turnê, quando ela começa? Quais os locais e cidades mais cotadas para tocar o FIB?
Por ser uma banda nova, ainda não conhecemos bem nosso público. A turnê começa em julho/agosto de 2011. Acho que além do Rio, as mais cotadas serão São Paulo e todo o Sul, muito pela óbvia facilidade de locomoção. Gosto muito de São Paulo. Por mais que eu queira muito fazer Recife, Fortaleza, Goiânia, Salvador etc, são cidades mais difíceis de chegar. E queremos muito tocar em toda a América Latina, principalmente Argentina, terra do nosso baterista Diego Laje. Mas o principal é tocar pra quem gosta da nossa música.
O Eskimo apresenta uma grande profusão de ritmos. Vemos reggae, rock, samba-rock, dub… De onde vem todas as referências?
Viva a fartura. Três décadas ouvindo música e mais de 14 anos trabalhando com isso. Nada mais natural, não?
Atualmente, como você vê o cenário do rock nacional como um todo?
Preguiçoso, não? Acho que sempre foi assim. Mais gente querendo estar envolvida com entretenimento do que com arte, mas sem ter noção disso. Tem 10 pessoas tentando fazer algo novo, e 210 correndo atrás de ser algum gringo, ou de alguma banda nacional já bem sucedida. Eu gosto de Nação Zumbi, CSS, ForFun, Maglore, Canja Rave, Rock Rocket, Ratos de Porão, Krisiun, Pitty, GO!, Planar, Cachorro Grande, Phone Trio, R.Sigma, Medulla, Psicoativos, O Grave, Defalla, Rockz, Vivendo do Ócio, Damm, Brasov…
Além de ser um grande baixista, você também toca outros instrumentos. Em FIB, você também tocou bateria. Como foi esse processo de estruturar o disco?
Tenho 1,80 m. Não sou tão grande assim (rsrs!). Eu gravei vários instrumentos, além de toda a bateria e todo o baixo do disco. E tive a cara de pau de cantar uma das músicas. Em termos de produção, tocar com você mesmo facilita a estruturar os arranjos e levar tudo a extremos maiores. Só é uma trabalheira incabível. Ideia de girico, como diz minha avó.
Além do Eskimo, você está envolvido em outros projetos?
Sempre fiz trilha sonora pra cinema, gosto muito de fazê-las, e elas sempre têm vindo até mim. Além disso, comecei a trabalhar como engenheiro de gravação e produtor, mas só com quem gosto.Tenho tocado também com o Marcelo Yuka no novo projeto dele. Bons músicos, ótimas pessoas. A banda mais afro-beat da cidade. Mas, Eskimo é a prioridade absoluta. Não estou querendo dividir muito meu coração nesse momento.
