Que o rap está passando por uma transformação interessante, não há dúvidas. Se tem um cara que vem contribuindo bastante para este novo cenário no ritmo, esse cara é o Emicida.

Famoso por suas rimas agressivas e, ao mesmo tempo, cheias de bom humor, o cantor de rap ganhou destaque em sites de streaming ao vencer as famosas rinhas de MCs, que bombam no YouTube. Aliás, o interessante mesmo são os versos criados de forma improvisada, e não a provocação – que também é bastante divertida.

Depois de lançar no ano passado o álbum Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe, Emicida acaba de jogar na rede uma faixa inédita, “Emicídio”. Sampleando os vocais de Edy Rock (dos Racionais), a música faz parte de uma mixtape que contou com as participações de Kamau, Zegon e Curumim. Segundo o blog do músico, a mixtape “vai para as ruas” em setembro. Quem quiser baixar, pode clicar aqui.

Apesar do rap viver a renovação – e Emicida fazer parte dela -, o cantor busca referências do rap nacional dos anos 90. Segundo o MC, “é necessário voltar ao começo, morrer como o passado, nascer como o futuro e viver como o presente”. É buscando no antigo que se configura o novo.

E, quando digo ‘rap antigo’, não questiono a agressividade das letras e a postura praticamente inflexível dos MCs. Pelo contrário: em um contexto atual, a junção do que é ‘novo’ e ‘antigo’ cai como uma luva em um campo musical periférico repleto de funk carioca e black music comercial. Afinal, a periferia ainda movimenta o rap e buscar o resgate do ritmo é algo totalmente necessário.

Ouça, abaixo, a faixa “Emicídio”, que também causou um burburinho no Twitter com a hashtag #emicidio.