Dead Weather – Sea Of Cowards
[rating:3.5]

Dead Weather é, certamente, o melhor projeto de Jack White. Nem mesmo os últimos trabalhos do grupo The White Stripes tem apresentado um resultado tão maduro e consistente quanto o trabalho em conjunto com Alison Mosshart (vocais e guitarra), Dean Fertita (guitarra e órgãos) e Jack Lawrence (baixo).

Assumindo a bateria, vocal e, de vez em quando, umas pitadas na guitarra – instrumento em que mais se destaca -, White e cia. trazem no segundo álbum do Dead Weather, Sea Of Cowards, um apanhado experimental de blues com letras ousadas. Isso fica evidente logo na primeira faixa, “Blue Blood Blues”, com a surpreendente cifra: “Check your lips at the door, woman!/ And shake your hips like battleships!/ Yeah, all the white girls trip when I sing at Sunday service!” (“Ponha seus lábios na porta, mulher! / E agite os quadris como couraçados! / Sim, todas as branquelas viajam quando canto no culto de domingo!”).

Além das letras, as incursões vocais de Alison e White fluem muito bem. Em “I’m Mad”, Alison relembra os áureos tempos de PJ Harvey, trazendo uma certa revolta que parece singela e descompromissada, mas torna-se visceral com as sujas guitarras de Fertita.

Em “The Difference Between Us”, o órgão introduz um som clássico com efeitos eletrônicos e dão uma cara mais pop a canção, que certamente poderia ser a porta de entrada para Sea Of Cowards. A letra fala de uma relação amorosa que sofre aquele conhecido problema: o caráter individualista de um que não é compatível com a obsessão do outro.

Os vocais intercalados de White e Alison em “Die By The Drop” se encaixam bem com a proposta da letra, que fala de um casal meio aventureiro que adora fazer coisas absurdas. “Let’s dig a hole in the sand, brother/ A little grave we can fill together/ I’ve got myself a problem/ That I’ve been lookin’ to sell (Vamos cavar um buraco na areia/ Podemos encher um túmulo juntos/ Tenho um problema/ Eu pretendia vender).

“Gasoline” traz uma interessante viagem psicodélica com o órgão fora do compasso e o sujo solo de guitarra que faz barulho. Seguindo a mesma conexão mordaz entre todos os integrantes, as faixas “No Horse” e “Looking at The Invisible Man” dão mais gás ao álbum.

O que se percebe é que Sea Of Cowards é um típico álbum de rock que poucos conseguiriam produzir. Afinal, juntar aspereza instrumental, sincronia vocal e munir com incursões ousadamente experimentais, não é para qualquer um. Nem mesmo para qualquer outro projeto de Jack White.