Gravadora: Joyful Noise
Data de Lançamento: 20 de janeiro de 2017

Experimental é um termo muito vago para explicar qualquer tipo de música.

Talvez fosse apropriado para as explorações de John Cage nos anos 1940. É perdoável que no final dá década de 1960 alguns críticos tenham usado o termo experimental em busca de entender o que raios Captain Beefheart estava fazendo em Trout Mask Replica (1969).

Mas, no século XXI, vir com essa para explicar a música de alguém pode ser indicativo de preguiça. Digo isso porque a música do Joan of Arc está propícia a classificações desse tipo.

O som é estranho, angular e meio fora do ritmo, com saturações eletrônicas em meio a um escopo baixo-bateria típicos do pós-punk.

Desde que surgiu em Chicago com a estreia A Portable Model Of (1997), as comparações com Pere Ubu e Butthole Surfers surgiram.

Duas décadas deram ao grupo experiência para desenvolver um tipo de linguagem própria.

Guitarras e teclados parecem mais desajustados em “New Wave Hippies”, mas percebam como o ritmo torto da bateria de Theo Katsaounis conecta o dodecafonismo aos devaneios do canto de Tim Kinsella.

“Full Moon and Rainbo Repair” é dotado de uma melancolia que põe aquele clima meio Beach House vagando em sons interplanetários. O baixo de Bobby Burg desempenha um papel importante, por mostrar que o pós-punk oitentista (e obscuro) fazem parte da linhagem da banda.

O Joan of Arc escolheu como principal single a canção “This Must Be The Placenta”, marcado por borbulhos anticíclicos, efeitos de teclado esfuziantes e distorções de guitarra soando como se fossem um acompanhamento de baixo. A todo momento dá a sensação de que a música vai estourar, e isso se torna um receio a partir do momento em que se percebe que improbabilidade é tudo que o ouvinte pode esperar.

He’s Got The Whole This Land Is Your Land In His Hands tem 11 canções. Segundo Kinsella, foi o máximo que a banda conseguiu enxugar. “Estamos melhorando em ser nós mesmos”, disse Kinsella no texto de divulgação. “Nós nunca tivemos um público que obtém qualquer validação do fato de não sermos cool por gostar da gente. Nós mutilamos, justapomos e colamos muitos elementos para chegar a esse contrato social. Mas confiamos uns nos outros”.

Outros lançamentos relevantes:

AFI: AFI (The Blood Album) (Concord)
Jeremy Pelt: Make Noise! (High Note)
Frank Carter & The Rattlesnakes: Modern Ruin (International Death Cult)
Mano Réu: Diários (Timbress Produções)