A música eletrônica vive de ciclos: uma hora estoura o techno, em outra o drum’n bass, em outra o psytrance e, agora, o dubstep. Tudo isso, no entanto, não quer dizer que sons considerados inovadores do gênero não possam puxar referências lá atrás. Isso acontece, sim, mas nem sempre isso é notado.

Partindo das raízes do reggae e do dub, mas buscando referências brasileiras, latino-americanas e africanas que definem nosso som, o jovem netselo Noudrags (tocado por Boss Bass e mais alguns sócios dele) acaba de lançar o disco homônimo da dupla Dub Majestic.

Formado por Caio Bernardes (que tocou no Aurora 69 e Sensimilla Dub) e Carlos Costa (já foi guitarrista do Manga Rosa), o projeto usa o reggae como recheio final de experimentações musicais que passam pelo jungle, drum’n bass e breakbeat, trazendo participações vocais que formam o contexto tropical essencial para identificá-lo como brasileiro.

As participações do álbum Dub Majestic são bem variadas. Tem a adocicada voz de Samira Audi em “Quero Dizer”, “Atitude” e “Mais”, canções que trabalham a beleza vocal da MPB com produções aceleradas que modulam beats e guitarras sem atrapalhar a limpidez dos vocais da cantora.

Louis Medheiros (ex-D’ucasco) também participa de três faixas: “Quem Vai Querer”, “Java” e “Nebulosa Neblina”, puxando vocais mais regueiros, temperados com uma produção dub fervorosa, daquelas de não deixar ninguém parado nas pistas.

As bases do Dub Majestic têm tudo para agradar fãs de break’n bass, steppa, jungle, dub, roots e dubstep, quebrando barreiras de público que podem fazer fãs de Fernanda Porto a Sly & Robbie se deleitarem com guitarras flamejantes e batidas eletrônicas, sem ousar tirar os pés das pistas – ou os fones dos ouvidos.

O álbum Dub Majestic pode ser ouvido na íntegra no player acima. Para fazer o download do disco, clique aqui.

A seguir, confira uma entrevista com a dupla Carlos Costa e Caio Bernardes.

Créditos da imagem: Beto Garavello