01 Coroné Antônio Bento 02 Cristina 03 Jurema 04 Padre Cícero 05 Flamengo 06 Você Fingiu 07 Eu Amo Você 08 Primavera (Vai Chuva) 09 Risos 10 Azul da Cor do Mar 11 Cristina #2

12 Tributo à Booker Pittman

Tim Maia (1970)

Ano: 1970
Gravadora: Polydor

O primeiro disco do Síndico é uma coleção de hits. Nele, alguns dos maiores de seus clássicos: “Eu Amo Você”, “Primavera (Vai Chuva)” (as duas escritas pelo genioso Cassiano e Silvio Rochael) e “Azul da Cor do Mar”, de autoria de Tim Maia. Esta emblemática canção foi escrita quando ele morava numa espécie de república. Enquanto os rapazes que dividiam quarto com ele farreavam com várias garotas, um Tim Maia desolado buscava inspiração em um calendário com tema de praia, já que nenhuma delas queria sair com ele (agradeça a elas; não sabem o favor que fizeram permitir que essa joia nascesse). Também tem a linda “Cristina”, um despertar para a paixão. Inclusive, o Síndico registrou um take mais acelerado e cru, com arranjos menos orquestrais (“Cristina nº 2”). Com este disco, o público aos poucos foi caindo no balanço de um músico que sabia dosar as medidas tanto quando falava de festança e alegria (“Coroné Antônio Bento”, parceria com Cassiano), como quando falava de melancolia (“Você Fingiu”). Na última canção, “Tributo a Booker Pittman”, Tim Maia insere um arranjo meio cool jazz (créditos a Cláudio Roditi) e canta em inglês um tributo ao grandioso clarinetista que tocou com Louis Armstrong, fez amizade com Pixinguinha e morou em Copacabana. Tim Maia (1970) geralmente é citado como a obra-prima do mestre, mas outros registros também merecem destaque.

Ouça: “Azul da Cor do Mar”

01 A Festa de Santo Reis 02 Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar) 03 Salve Nossa Senhora 04 Um Dia Eu Chego Lá 05 Não Vou Ficar 06 Broken Heart 07 Você 08 Preciso Aprender a Ser Só 09 I Don’t Know What to do with Myself 10 É por Você que Vivo 11 Meu País

12 I Don’t Care

Tim Maia (1971)

Ano: 1971
Gravadora: Polydor

Ainda melhor que o primeiro, Tim Maia (1971) é mais carregado de balanço – como já mostra a bombástica “A Festa do Santo Reis”, que faz o ouvinte dimensionar a alegria que é se aprofundar em sua obra. Tudo fica ainda melhor com “Não Quero Dinheiro”, com aquele refrão delicioso: ‘Quando a gente ama/Não pensa em dinheiro/Só se quer amar, se quer amar, se quer amar’. Puro contágio. “Salve Nossa Senhora” resgata o clima de festança proporcionado pelo acordeom, triângulos e guitarras de “A Festa do Santo Reis”. Linda também é “Um Dia Eu Chego Lá”, na minha opinião uma das melhores músicas do Síndico. ‘Trabalho, trabalho/No fim do mês não vejo um tostão’: que brasileiro não se identifica com isso – do cidadão que vive pra pagar imposto ao consumidor compulsivo? Em “Não Vou Ficar”, as guitarras de Paulo e Hyldon fritam e os pratos da bateria de Paulinho aceleram as emoções de Tim Maia, que diz não querer se iludir com um amor que está à beira da perdição. Aí, meu camarada, entra aquele arranjo de Pinduca no vibrafone que derrete qualquer machão-alfa. E o síndico nos agracia: ‘Pensando bem/Não vale a pena/Ficar tentando em vão/O nosso amor/Não tem mais condição’. Ainda tem espaço para “Meu País”, onde Tim canta que sua passagem nos Estados Unidos foi importante – ‘Porém no meu país/Senti tudo o que quis’. Se for pra escolher um disco só de Tim Maia para uma viagem, confinação, ilha deserta, o que for – escolha este!

Ouça: “Não Vou Ficar”

01 Idade 02 My Little Girl 03 O Que Você Quer Apostar 04 Canário do Reino 05 Já Era Tempo de Você 06 These Are the Songs 07 O Que me Importa 08 Lamento 09 Sofre 10 Razão de Sambar 11 Pelo Amor de Deus

12 Where Is my other Half

Tim Maia (1972)

Ano: 1972
Gravadora: Polydor

No terceiro disco, Tim Maia deu mais espaço para o seu sentimentalismo, explorando arranjos que levam os ouvintes a dançar coladinho com seu par – caso da sequência “O Que Me Importa” e “Lamento”, uma balada com violão e órgãos em baixo volume. Quando entra a bateria, é o momento perfeito para você deixar suas lágrimas extravasarem. “Sofre” resgata aquele típico som da Stax – lembra demais os primeiros anos do Booker T. & the MGs. O ápice de seu sentimentalismo é estourado em “Pelo Amor de Deus”, momento em que o síndico clama por um tempo, um sossego. De fato, este álbum mostra a tentativa do cantor de explorar outros terrenos dentro da soul music: “O Que Você Quer Apostar” une seu universo à explosão da Jovem Guarda; “Já Era Tempo de Você” é um jazz na medida; e “These Are the Songs” (famosa em dueto com Elis Regina) mostra a capacidade de Tim Maia de ser um crooner – crooner do balanço, bom dizer, algo que a percussão de Chacal não nega. Com exceção de “Canário do Reino”, “Já Era Tempo de Você” e “O Que Me Importa”, todas as canções foram escritas por Tim Maia.

Ouça: “Pelo Amor de Deus”

01 Réu Confesso 02 Compadre 03 Over Again 04 Até que Enfim Encontrei Você 05 O Balanço 06 New Love 07 Do Your Thing, Behave Yourself 08 Gostava Tanto de Você 09 Música no Ar 10 A Paz do meu Mundo É Você 11 Preciso Ser Amado

12 Amores

Tim Maia (1973)

Ano: 1973
Gravadora: Polydor

Dessa primeira fase de Tim Maia, talvez este seja o disco menos comentado. Mas a grande verdade é que o Síndico continua inspirado como nos trabalhos anteriores. Como já é de costume, abre com um hit. “Réu Confesso” é uma evolução daquela linha ‘cornoafetiva’ que o cantor sempre fez questão de enaltecer: ‘Longe de você/Já não sou mais nada’. “Compadre” e “Over Again” (instrumentação similar a “Réu Confesso”) dão aquela linha ‘escutável’ ao disco. Quando entra “Até que Enfim Encontrei Você”, percebemos que Tim está mais etéreo. A canção não é swingada como seus principais hits; é um soul na medida. “O Balanço” já é mais funky, mas Tim não está em seus momentos de mais potência. Quando ele canta ‘Todo mundo que eu conheço/Chora’, esperamos uma entrega maior do cantor. O lado A pode não estar à altura dos trabalhos anteriores, mas não se deixe enganar. O lado B compensa – e muito! “Do Your Thing, Behave Yourself” é uma composição em inglês que veio para preceder “Rational Culture” (que veio um ano depois) no quesito ‘good vibrations’. “Gostava Tanto de Você” é hours concours: escrita por Édson Trindade em homenagem à filha que havia falecido, tornou-se uma das grandes vitrines do mestre. Na primeira versão da música, a voz de Tim está um pouco abafada (algo que seria arrumado tempos depois, provavelmente por exigência do próprio músico). “Música no Ar” é pura lindeza e, na dobradinha “A Paz no Meu Mundo é Você” e “Preciso Ser Amado”, o Síndico não tem medo de expor o quanto precisa de amor. Todos precisamos, não é mesmo?

Ouça: “Réu Confesso”

01 Imunização Racional 02 O Grão Mestre Varonil 03 Bom Senso 04 Energia Racional 05 Leia o Livro Universo em Desencanto 06 Contato com o Mundo Racional 07 Universo em Desencanto 08 You don’t Know What I Know

09 Rational Culture

Racional Volume 1

Ano: 1975
Gravadora: Seroma

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Tim Maia sempre foi adepto a uma vida de excessos: doses exageradas de whisky, cocaína, maconha, mescalina… Por isso, seus músicos estranharam quando ele, de um dia pro outro, resolveu pregar a filosofia de um livro gigantesco chamado Universo em Desencanto, de Manoel Jacintho. Todos achavam que era mais uma de suas muitas doideiras. A coisa ficou séria quando perceberam que sua voz estava tinindo de potente (ele havia parado com a chapação), cantando sobre ‘imunização racional’ e ‘leia o livro’. Estava tão sério, que ele exigiu que todos usassem roupas brancas tanto nas gravações, quanto nas apresentações na TV, recusando-se a tocar os hits do passado (mais informações sobre o disco aqui). Outro fator que contribui para o misticismo do primeiro álbum de sua fase Racional: a banda está hiper-afiada. Toque de gênio aqueles slaps de baixo no refrão final de “Bom Senso”. Segundo o músico Paulinho Guitarra, as bases já estavam prontas desde 1974, só as letras que mudaram por conta dessa nova fase do Síndico. Tudo bem que é uma chatice essa pregação messiânica de uma filosofia duvidosa de resguardo e caretice. Mas nada paga aquela jam de rhtytm’n blues de “Rational Culture”: ali tem Herbie Hancock, Stevie Wonder, Curtis Mayfield, um pouco de Parliament… E ele diz que sua cultura vai ‘governar o mundo’: ‘read the book/The only book/The book of God’. Se essa doutrina é verdadeira ou não, preferimos não questionar. Mas o fato é que Tim Maia navegou em suas profundezas e se redescobriu, buscou o ‘eu interior’ – e nos entregou isso de forma instigante.

Ouça: “Bom Senso”

01 Quer Queira Quer Não Queira 02 Paz Interior 03 O Caminho do Bem 04 Energia Racional 05 Que Legal 06 Cultura Racional 07 O Dever de Fazer Propaganda deste Conhecimento 08 Guiné Bissau, Moçambique e Angola Racional

09 Imunização Racional (Que Beleza)

Racional Volume 2

Ano: 1976
Gravadora: Seroma

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Se você acha que a energia do primeiro disco da fase Racional é intensa o suficiente, vai se chocar ainda mais com o Racional Vol. 2. O balanço de “Quer Queira Quer Não Queira” é de remexer os quadris: como se fosse o funk tocado no paraíso, de tão bonito que é. “Paz Interior” traz uma sessão de metais que lembra os principais hits da primeira fase do cantor (1970-1975). Quando ele diz ‘eu agora já não dependo de você’, a mensagem é direta aos seus tempos de doideira e insanidade. “O Caminho do Bem” é mais suave: Tim Maia canta baixinho, ele quer ser o seu inconsciente para te levar pro ‘caminho racional’ (Otis Redding babaria). Em “Energia Racional”, o órgão treme tudo para depois dar espaço para a dança irresistível de “Que Legal”, com guitarras funky de base que dialogam com um teclado inquieto: ‘É legal a cultura viva Racional/É bacana, mas tem muita gente que se engana’. “Guiné-Bissau, Moçambique e Angola Racional”, países africanos que também falam o português, são os alvos da pregação de Tim, que queria de qualquer jeito que todo mundo ficasse por dentro dessa nova filosofia (inclusive, ele chegou a mandar exemplares para John Lennon, Curtis Mayfield e James Brown). Considerado um dos marcos da música brasileira, depois de lançar este disco Tim Maia viu que Jacintho não seguia os próprios ideais e sentiu-se enganado. Ele excluiu os discos de sua fase Racional do catálogo e jurou nunca mais cantar nenhuma dessas músicas. Por isso, até hoje, a fase Racional encanta novos fãs. Seus LPs são disputadíssimos em sebos, com preços exorbitantes.

Ouça: “O Caminho do Bem”

01 With No One Else Around 02 I Love You, Girl 03 To Fall in Love 04 Only a Dream 05 People 06 Let’s Have a Ball Tonight 07 I 08 Day by Day

09 Vitória Régia

Tim Maia em Inglês

Ano: 1976
Gravadora: Seroma (1976), Warner-Continental (1978)

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Este disco saiu em 1976 pela gravadora independente Seroma, de propriedade de Tim Maia, e foi relançado dois anos depois pela Warner-Continental. Como diz o próprio nome, todas as composições são em inglês. Depois da decepção que teve com a fase Racional, o músico voltou novamente com seus excessos. Só que aqui, ele revela um lado mais intimista. Seu inglês impecável passeia pela amorosa “With No One Else Around”, que recebeu arranjos meio flutuantes, com coro e orquestração. “I Love You Girl” e “Only a Dream” vão fundo naquele termo ‘mela-cueca’ que o próprio Síndico já cunhou para descrever algumas de suas obras. “To Fall in Love” mostra Tim Maia no ápice de seu romantismo, dizendo que ‘apaixonar-se é como queimar no fogo’. Os metais dão tremenda fúria a uma das canções mais bem arranjadas do cantor. Apesar de não ser uma de suas facetas mais reconhecidas, Tim Maia convence muito bem em inglês. Além das mencionadas, é gostoso ouvir “Let’s Have a Ball Tonight” (que tem uma virada funk espetacular, diga-se de passagem) e a sentimental “Day by Day”.

Ouça: “Let’s Have a Ball Tonight”