Quando se fala em Betty Mabry a primeira coisa que se lembra é de seu envolvimento com Miles Davis no final dos anos 1960. Assim, ela tornou-se Betty Davis, a diva do funk e de álbuns como They Say I’m Different (1974) e Nasty Gal (1975). Foi Betty, inclusive, o ‘pescoço’ que guiou o trompetista à fase elétrica, que teve início em In a Silent Way (1969) e gerou álbuns influentes para todo o sempre, como Bitches Brew (1970) e On The Corner (1972).

G. Álbuns: Betty Davis | Nasty Gal (1975)
Antes do primeiro disco de Betty, ela gravou uma série de demos que ficou guardada por mais de quatro décadas. Muito se especulou sobre seu trabalho musical conjunto com Miles e alguns de seus notáveis músicos, como Wayne Shorter, Herbie Hancock, John McLaughlin, entre outros (que formaram a cozinha da fase elétrica de Miles).
Sim, esses registros existiram – e acabaram de ser lançados.
A produção ficou por conta do próprio Miles Davis, ao lado do lendário produtor Teo Macero – aquele que ajudou a tornar Kind of Blue (1959) possível.
As canções registradas são todas demos mesmo, a maioria delas de composição da própria Betty, como “Politician Man” e “My Soul is Tired”. Entre as canções é possível ouvir a voz rouca de Miles, dando uns toques.
A versão de Betty do blues “Born On the Bayou”, do Creedence Clearwater Revival, ganhou um contorno funky nos solos de guitarra de McLaughlin, convergindo com os teclados de Larry Young.
As três últimas canções de The Columbia Years 1968-1969 tem participação do também lendário Hugh Masekela no trompete, com músicos dos Jazz Crusaders.
Muito se especulava sobre uma sessão que Jimi Hendrix teria tocado com Miles Davis – não é o caso deste registro. Mas dois terços do grupo de Hendrix também participou das sessões: o baixista Billy Cox e o baterista Mitch Mitchell.
As demos foram gravadas nos estúdios da Columbia, em maio de 1969.
Felizmente, tá tudo disponível na íntegra. Viva Betty!
