Gravadora: Atlantic
Data de Lançamento: 30 de novembro de 2018

Disco da Semana: Meek Mill | Championships

Há pouco mais de um ano, Meek Mill ficou mundialmente conhecido como o rapper que havia tretado com Drake após acusá-lo de apoiar-se em ghostwriters (compositores não creditados no universo do hip hop). Mas em novembro de 2017 um fato complexo cercearia sua liberdade: ele foi sentenciado a dois anos de prisão por violar termos de uma condicional de 2008, por porte de drogas e armas.

Esse caso gerou grande comoção contra a justiça norte-americana. JAY-Z chegou a escrever um artigo no New York Times, acusando a juíza de racismo: “O que aconteceu com Meek Mill é apenas um exemplo de como nosso sistema de justiça criminal cria armadilhas e prejudica centenas de milhares de pessoas negras todos os dias”.

O músico ficou 5 meses encarcerado e disse que passou por um ‘pesadelo’ nesse período.

As pazes com Drake foram seladas em setembro deste ano, quando o músico canadense chamou Meek Mill para os palcos para tocar “Dreams and Nightmares”, em Boston.

E ele fez questão de retribuir o convite em uma das faixas mais potentes de seu novo disco, Championships: “Going Bad” deixa toda a rusga de lado e fala sobre juntar as forças (e riquezas) para sair com mais garotas e aproveitar mais a vida.

Mesmo que se trate de um grande acontecimento – afinal, tudo que envolve Drake ganha uma proporção maior do que deveria – Championships é muito mais que um tratado de paz de uma diss.

Meek Mill em nova fase

Do tempo na prisão, Meek Mill traz um novo frescor musical que, sim, reforça sua crítica à sociedade norte-americana que não suporta ver homens negros enriquecendo, mas ciente de que um bom amontoado de grana vem com muitas responsabilidades, algo que ele detalha em “Respect the Game”. Com a mesma base de Lonnie Smith (a mesma de “Dead Presidents”, do disco de estreia de JAY-Z), Mill sela três regras para não se tornar um alvo fácil: ‘não conte sua grana achando que é merecedor’,não confie em quem quer te foder para comprar algumas bolsas’ e ‘guarde dinheiro’.

Como um dos principais propagadores do #FreeMeekMill, Hova também faz participação valiosa no disco. Ao lado de Rick Ross, JAY-Z ajuda a fazer de “What’s Free” o ponto mais alto de Championships, falando da desunião entre os rappers, dando uma leve comparada entre suas desavenças com Kanye West com Prince e Michael Jackson nos anos 1980.

Meek Mill, claro, não fica atrás: numa base alarmante que remonta o melhor do gangsta-rap dos anos 1990, o rapper da Filadélfia cita suas fraquezas e erros, chamando atenção para o fato de que precisou de suporte de muitos – mas teve a resposta de poucos.

Das dezenas de participações, vale a pena destacar a parceria com Cardi B em “On Me” (e fica difícil não fazer um parênteses com o fato de que a rapper tornou-se inimiga número 1 de Nicki Minaj, ex de Meek Mill), o flerte com o rap latino em “Uptown Vibes”, ao lado de Fabolous e Anuel AA, o flow à lá Atlanta ao lado de Future, em “Splash Warning”, e a convincente love song “24/7” ao lado de Ella Mai – com direito a sampler de Beyoncé (de “Me, Myself and I”).

No processo de amadurecer o tempo em que perdeu aquilo que lhe era mais valioso (a liberdade), Meek Mill já entrega uma celebração das coisas boas que prevê acontecer. Com apenas 31 anos, ele sabe que a vida é curta demais para dar corda para tretas insustentáveis e lamentar os erros do passado.

Outros lançamentos relevantes:

Earl Sweatshirt: Some Rap Songs
Chris Carter: Miscellany

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