Gravadora: Chemikal Underground
Data de Lançamento: 26 de fevereiro de 2016

Encontre via Chemikal Underground

O 3º disco da escocesa Emma Pollock é uma viagem pela própria trajetória pessoal da cantora: o termo Harperfield, pra se ter uma ideia, era o nome da primeira casa em que seus pais moraram, antes mesmo que ela tivesse nascido.

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A primeira música chama-se “Cannot Keep a Secret”, mas ela não revela nada demais. Pelo contrário, enfatiza uma conexão com árvores e água como se estivesse numa pintura impressionista, permanente em seu córtex desde a infância.

Das imagens surgem as palavras: ‘nossas maneiras egoístas são a fonte de muita desgraça’, filosofa, numa sonoridade que compreende o campo aberto com a claridade da luz natural.

Chamada de ‘Dusty Springfield cerebral’ de nossos tempos pela Uncut, Emma Pollock é uma compositora que sabe muito bem o significado da palavra sublime.

Suas canções são catedráticas: musicalmente pensadas e estruturadas como se dessem cores aos pensamentos e cenários que exalam como um raro aroma que sentimos, e queremos guardar conosco.

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Preste atenção nos arranjos; eles só poderiam ser elaborados por pessoas próximas a ela – não obstante, o marido dela, Paul Savage, está por trás disso, ao lado de Malcolm Lindsay. Entre pianos, guitarras, cellos e violinos, In Search of Harperfield vai do dramatismo de Judy Garland (“Intermission”) à pureza acústica de Sandy Denny (“Monster in the Pack”), com o compromisso de fazer com que o ouvinte seja mais que um transeunte nessa viagem por lugares desconhecidos.

Emma Pollock usa a capacidade imaginativa com a melancolia da perda, resultando mais em questionamentos que despejos de nostalgia

As imagens e simbolismos utilizados permitem que se dimensione, ou pelo menos se aproxime, do que a cantora está sentindo, sob diferentes maneiras, em diferentes paisagens e diferentes perspectivas.

Mas, quanto ao clima, é bom ter cautela: o disco é marcado pela morte da mãe (em fevereiro de 2015) e uma doença que acomete seu pai. Lembra um certo Carrie & Lowell (2015), de Sufjan Stevens, e com todos os superlativos que ele recebeu. Entretanto, Pollock usa a capacidade imaginativa com a melancolia da perda, resultando mais em questionamentos que despejos de nostalgia (ou saudade, palavra que eles não conhecem).

O álbum foi preparado num período de quatro anos (inclusive, seu último álbum solo, The Law of Large Numbers, é de 2010). E, entre as direções tomadas, Emma também perfila personagens (“Vacant Stare”), fala sobre traição e retribuição (temas da acústica “Clemency” e da cristalina “Alabaster”) e… claro, sobre a infância dela, como faz no principal single, “Parks and Recreation”, já mostrado no ano passado.

“Tem servido de lição pra mim”, disse Emma Pollock, em entrevista ao Daily Record. “Não se mantenha afastado para lamber suas próprias feridas e, por fim, sentir pena de si mesmo. Sempre tente se envolver com o mundo, porque isso nos ajuda a seguir em frente”.

Outros lançamentos relevantes:

Heather Masse & Roswell Rudd: August Love Song (Red House Records)
Hands Like Houses: Dissonants (Rise Records)
Brian McNight: Better (Brian McNight Music)
Steve Reich: Four Organs; Phase Patterns (Superior Viaduct)