Gravadora: Pampa
Data de Lançamento: 4 de maio de 2018
Disco da Semana: DJ Koze, Knock Knock
Cruzar subgêneros da eletrônica é uma maneira equivocada de entender DJ Koze. Em seu quinto disco, Knock Knock, o produtor alemão de 46 anos dá mais ênfase a passagens melódicas no que parece ser uma busca elegíaca de sair do nosso planeta, conhecer um novo lugar e incorporar esses ensinamentos.
É um tipo de eletrônica que busca novos – em vez de refletir um – estados de espírito. Os muitos roteiros das muitas viagens estão traçados numa improvável jornada musical.
Knock Knock é o resultado de um álbum de música eletrônica por um indivíduo que soube como incorporar e transcender a ambient-music. Mas o que realmente contribui para o senso de liberdade do disco vai além de questões estéticas.
“Sempre busco uma espécie de atemporalidade e, na minha percepção subjetiva, atemporalidade significa evitar coisas e sons”, disse o músico à FACT Magazine em janeiro. “Esta é uma tarefa muito mais difícil do que fazer o contrário”.

DJ Koze: voz, batidas e mistérios
O principal single de Knock Knock está justamente no meio das 16 faixas. Trata-se de “Pick Up”, um techno que se aproxima do acid-house e que se destaca pela vibração – embora os vocais de fundo soem bastante estáticos.
A seguinte, “Planet Hase”, despe alguns dos principais artifícios pop: o uso dos graves e as chamadinhas vocais. Agora, como Koze conseguiu fazer disso uma faixa interessante… É algo que precisa ouvir para entender.
“Pick Up” e “Planet Hase” se conectam com propósitos sci-fi, mas vale a pena prestar atenção nos detalhes vocais do disco.
Antes mesmo de Knock Knock ser lançado, muitos se impressionaram com o resultado das manipulações de DJ Koze por cima do sampler de “Calgary”, do álbum homônimo de Bon Iver.
Nas demais faixas, ele não poupou a ajuda de amigos. Na robótica “Moving in a Liquid”, Eddie Fummler é a voz que liga o ouvinte ao espaço. As colaborações de José González (“Music On My Teeth”) e Kurt Wagner (“Muddy Funster”) revelam a habilidade de Koze em se virar muito bem em propostas eletroacústicas.
Há ecos de Steve Reich e Brian Eno nessas viagens, e os vocais servem como direcionamentos àquilo que classificamos como utópico, embora não se saiba muito bem do que se trata.
Não à toa, nos momentos em que mais foge da pulsação eletrônica, DJ Koze produz uma antimúsica. Ou, melhor, produz o que encararíamos como contemplações, como transições ou como pequenos mistérios que não precisam ser resolvidos para nos maravilhar.
Leia também: Crítica de Invite the Light (2015), do Dâm-Funk
Outros lançamentos relevantes:
• Jon Hopkins: Singularity (Domino)
• Brian Eno: Music for Installations (Astralwerks / Opal)
• Iceage: Beyondless (Matador)
• Shakey Graves: Can’t Wake Up (Dualtone Music)
