Gravadora: Virgin/EMI
Data de Lançamento: 14 de julho de 2015
Os anos 1990 acabaram, e se o gosto pelo tempo estruturado do techno hoje é quase uma antítese às quebras rítmicas do dubstep e glitch, não é por culpa da ausência dos Chemical Brothers.
Tom Rowland e Ed Simmons podem não dispor das inovações pertencentes aos extremos do avant-garde e dubstep de atos como Oneohtrix Point Never e SBTRKT. Pelo contrário, seguem uma linha de evolução própria, caracterizado pela prerrogativa de que é possível conectar diferentes noções de futuro a partir da ideia que vem do passado.
Born in Echoes tem a auréola de um disco feito por campeões da pista, mas quase metade do repertório segue uma veia experimental
O que estes anos ensinaram ao Chemical Brothers é que o esgotamento do techno e do power-house estão longe para acontecer. É possível inserir as rimas maduras de Q-Tip (“Go”), tornar St. Vincent ainda mais estranha do que já é (“Under Neon Lights”) e fazer com que barulhos de mosquito saiam das trilhas de cinema para as raves (“Taste Of Honey”, reservada para o momento mais viajandão do rolê).
Born in Echoes tem a auréola de um disco feito por campeões da pista, mas quase metade do repertório segue uma veia experimental – aquele lado pouco tocado dos Chemicals ao longo destes 20 anos. Isso pode impedir que arautos captem a força criativa da faixa-título, ou considerem a colaboração com Beck, em “Wide Open”, uma redução indesculpável nas engrenagens.
Mercadologicamente, discos como Born in Echoes conquistam a crítica e afastam o público que se mantém alienado na eterna busca de ‘música pra dançar’. Orbital fez algo parecido em Wonky (2012) e acabou desistindo no meio do caminho. O Chemical Brothers, por outro lado, carrega o hype conquistado entre os anos 90 e 2000 como se não pesassem nada.
A transfiguração sonora que faz, do ambient ao funk, é pensada para as arenas. Para isso, não há regra.
Outros lançamentos relevantes:
• Public Enemy: Man Plans God Laughs (SPITdigital)
• Tame Impala: Currents (Modular)
• BIKE: 1943 (Independente)
• Cradle of Filth: Hammer of the Witches (Nuclear Blast)
• Little Boots: Working Girl (On Repeat)
