Gravadora: Stones Throw
Data de Lançamento: 15 de janeiro de 2016

Conhecido por participar de algumas das melhores faixas de Compton (2015), o álbum que marcou o retorno de Dr. Dre à cena, Anderson .Paak vem com seu segundo álbum, Malibu, como se estivesse preparando sua estreia.

Sua voz é como um barômetro que climatiza Kendrick Lamar e Frank Ocean, moderando a velocidade das rimas a favor das melodias soul.

Em entrevista ao All HipHop, ele descreveu de forma pragmática suas ‘escolas’ musicais: “É apenas soul, funk, dor, blues, música negra. É a p***a da igreja. Gospel moderno é fusão. Se você ouvir estes novos artistas do gospel, verá que eles têm alguns arranjos malucos. Sou produto disso”.

Antes de lançar seu primeiro álbum como Anderson .Paak, Venice (2014), ele assinava como Breezy Lovejoy. Sem muitos holofotes, deu início às atividades musicais em 2011. Sua falta de conhecimento em gerenciar a carreira (como disse na entrevista do All HipHop) fez com que passasse dificuldades financeiras. “Eu não tinha nenhuma direção”, contou.

O sobressalto veio com o convite de DJ Dahi, após ouvir o single “Suede”, que meses depois iria parar no EP Link Up & Suede, feito em colaboração com Knxwledge no projeto NxWorries. Dahi se impressionou e o convidou para um ‘projeto secreto’. “Eles me chamaram. Conheci Dre e D.O.C. logo na primeira noite”, disse. “A partir daí, a cada novo dia eu estava lá”.

Em Compton, seus backings são marcantes, principalmente em “All In a Day’s Work”, a primeira colaboração com Dre. Se é para usar como parâmetro alguma faixa do celebrado disco, digamos que Malibu tem mais correlação com “Animals”, em que ele predomina ao mesclar a voz que evoca o sentimento das ruas – e tem na aparição de Dre o contraste voraz. (Anderson .Paak, porém, não é de Compton – é de Oxnard, também situada no estado da Califórnia.)

A capa de Malibu sugere tons de ousadia, algo mostrado com certa relativização. .Paak não tem muito a oferecer de inovador na seara da soul-music, mas usa a seu favor o dinamismo: pelo fato de moldar rap e soul, ele firma melhor seu espaço na cena alternativa, a mesma que mantém a consagração de Madlib e 9th Wonder, produtores que transitam nesses gêneros com uma destreza afiada.

Crítica: Dr. Dre | Compton

Pianos caem muito bem com o flow de .Paak, mas é na criação de névoas que inserem elementos de drone e funk, como em “The Season/Carry Me”, ou no flerte com o calipso da produção de Jose Rios, em “Parking Lot”, que o termo inovação parece sair das neblinas.

Nas canções claramente orgânicas, o piano é bem sustentado na confluência funky entre guitarra e baixo, como em “Put Me Thru”, que também insere um caldo reggae, com saltos sutis no baixo.

Sua continuação desagua em “Am I Wrong”, uma possível irmã de “Can’t Feel My Face”, de The Weeknd – ainda assim, um contemporâneo distante, pois as pausas de .Paak costumam ser preenchidas com teclados, synths oitentistas, quando não guitarras mesmo. A entrada de ScHoolboy Q é estranha porque vem de uma ramificação do space-funk, um andamento que nenhum ouvinte que esperasse uma desenvoltura pop anteciparia. A forma com que a musicalidade é conduzida deve-se à produção de Pomo: um soul-funk cinético, que aglomera anos 70 e anos 2010 como parte de um todo.

Desde que Malibu começa, com “The Bird”, produzida por ele próprio, às agitadas “Heart Don’t Stand a Chance” e “Lite Weight” (com participação da banda Free Nationals, comandada pelo próprio .Paak), o músico confunde o ouvinte com sua desenvoltura rapper e sentimentalismo de soulman, sem atingir os extremos por nenhuma das vias.

Entre passeios e gorjeios, esconde-se uma ânsia de ser gigante.

Outros lançamentos relevantes:

Reich Durch Jazz: Reich Durch Jazz (Trouble in the East)
Bloodiest: Bloodiest (Relapse)
Baaba Maal: The Traveller (Kobalt/Marathon Artists/Palm)
Ches Smith: The Bell (ECM)
Charles Lloyd & The Marvels: I Long to See You (Blue Note)