Pop, soul music e rock. Condensados em um trabalho acessível, fácil de cantar e acompanhar. O carioca Dico grita pelos quatro cantos que a influência de seu trabalho vem da música negra mesmo, em sua essência mais orgânica, swingante e sincopada.
Para o lançamento do primeiro EP, homônimo, chamou diversos instrumentistas para corporificar a vivacidade sonora que prega. Ao lado de Dico, vocalista, ele tem à disposição: Igo Santiago (guitarra), Kadu Evans (baixo), Vitor Campanário (pianos Rhodes e Hammond), Pablo Diego (bateria/pandeiro) e Wellington Siqueira (trompete e flugelhorn).
Musicalmente, Dico causa boa impressão por acenar ao público que ouve esse tipo de som nas baladas. Carece de um senso de originalidade, mas, em contrapartida, cativa mais a cada audição. É como se a insistência fosse necessária para quebrar a sisudez de quem escuta – e, neste caso, recomendo repetir os plays de “O que é Arte?”, mais pela desenvoltura rítmica que pelas referências a Chico Science e Chico César; e “Avant-Garde”, que traz participação de Carlos Dafé, considerado o príncipe do soul nos anos 1970 pelo hit “Pra Que Vou Recordar o Que Chorei”.
Celebrando um conceito ‘pop-universal’, o disco de estreia de Dico traz 6 faixas com boas chances de ganhar repercussão em festas com estilo dançante. Eis a síntese do seu trabalho:
A dicotomia do artista traduz todas as sobreposições e contradições que se agrupam em seu imaginário, permeado pelos ritmos brasileiros como o funk, o soul, o reggae, o blues e o jazz. Mas, ao mostrar que sua viagem é atemporal, Dico vislumbra um horizonte sem ponto de chegada, em que o percurso é o que realmente importa.
Ouça o álbum homônimo de Dico na íntegra, no player abaixo:
