Mitch Winehouse lançou em abril deste ano seu primeiro álbum: Rush of Love

A morte de Amy Winehouse fez com que as vendas dos álbuns Frank e Back To Black disparassem como nunca, chegando inclusive a ameaçar o primeiro lugar do estrondoso 21, da Adele, que foi lançado neste ano. Talvez, com isso cresça o interesse do público em conhecer um pouco mais do primeiro disco de seu pai, Mitch Winehouse, que em abril lançou Rush of Love

No universo musical, é comum filhos seguirem os mesmos caminhos dos pais, como acontece com Jakob Dylan ou Femi Kuti. Só que, neste caso, ocorreu justamente o contrário. Com o sucesso de Amy, Mitch se sentiu encorajado (por ela mesmo, inclusive) a lançar seu próprio disco.

Amy Winehouse deu todo apoio a seu pai, insistindo para que ele gravasse um álbum após algumas tentativas fracassadas de gravar alguns duetos

Nos anos 70, Mitch era um músico profissional quando decidiu que precisava de um trabalho estável que garantisse o seu sustento e o sustento da família. Acabou virando motorista de taxi e depois, vendedor. Inclusive, muito do que ele aprendeu na profissão ele utiliza na sua recém-construída carreira musical. Em entrevista ao New York Times, Mitch disse que sua habilidade de falar com o público tem o ajudado bastante nas suas apresentações.

Ainda que se perceba o esforço de um músico com boas habilidade vocais, Mitch Winehouse regravou clássicos do jazz com aquela sintonia de intérpretes animadores de boteco que estão entre o amadorismo e os primeiros passos do profissionalismo. Mas nada impede de tornar agradável momentos em que ele canta “Rush of Love to the Heart” ou a releitura do clássico “Please Be Kind”, também regravada por Frank Sinatra.

A proposta do álbum Rush of Love é trazer às novas gerações canções populares das décadas de 40 e 50, principalmente o jazz cantado. Aos 60 anos, Mitch exibe uma voz jovial e uma disposição admirável para regravar grandiosos da música universal, incluindo Tom Jobim e a versão em inglês de “Insensatez” (“How Insensitive”). Ao ouví-lo, parece que somos transportados a uma taverna escura com um piano no centro e um público vestido de ternos, mocassins e chapéus. É bem adequado para se encaixar em alguma trilha de seriado ambientado em décadas antigas.

Mesmo sendo precoce, Rush of Love ainda vai se tornar objeto de estudo de muitos curiosos. Nele, você percebe de onde vem toda aquela voz exuberante de uma das maiores divas pop dos últimos anos. Foi Mitch quem ensinou Amy a cantar, ainda que essa habilidade talvez tenha se perdido com os longos anos de ausência do universo musical.

A escolha do repertório de 11 músicas tem mais a ver com a sensibilidade de Mitch do que qualquer estratégia comercial. Amy Winehouse deu todo apoio a seu pai, insistindo para que ele gravasse um álbum após algumas tentativas fracassadas de fazer algum dueto (as vozes não se batem. Mitch tem uma pegada mais calmaria e confortante, enquanto Amy se impõe mais e mobiliza pela força sentimental de suas composições).

O resultado é mais positivo do que negativo. Por mais que o jazz antigo não tenha mais tanto valor comercial, Rush of Love se mostra um registro sincero e inverte a lógica da hereditariedade artística: daqui pra frente, quem sabe não é Mitch quem siga os passos de sua filha Amy Winehouse?

Confira a seguir um vídeo de Mitch Winehouse tocando “Please Be Kind” e, em seguida, ouça Rush of Love na íntegra: