Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 5 de janeiro de 2018
O inesperado sucesso de “Bodak Yellow” fez com que o rap feminino finalmente voltasse aos holofotes (20 anos após Lauryn Hill, diga-se de passagem). Cardi B ainda prepara seu álbum de estreia, mas é bom saber que há outras MCs gringas preparadas para despontar.
É aí que entra cupcaKke, pseudônimo de Elizabeth Eden Harris.
Natural de Chicago (EUA), ela lançou no comecinho de 2018 o álbum Ephorize, que fala de maneira ainda mais aberta sobre sexualidade, rolês e tirações de sarro com os crushs malsucedidos.
Ephorize: contra o machismo
Ephorize é caracterizado por um tipo de pop futurista que remete ao que há de mais esquizofrênico em Missy Elliott.
Em “Crayons”, metais alinham e se desalinham à produção de Def Starz, responsável por abranger a estética sonora de Elizabeth.
De qualquer forma, é ela quem está no comando. ‘Posso fazer seu pau levantar (você está pronto?)/É como a Estátua da Liberdade assim que fodermos (você está pronto?)’, canta sem muitos pudores em “Duck Duck Goose”.
Essa marra toda também é explícita em momentos, digamos, mais corriqueiros – como postar uma foto nas redes sociais, por exemplo. ‘Não estou tentando ser sua esposa/Nem quero você por uma noite’, canta no pop-funk-plastificado de “Post Pic”, que bate de frente contra a postura de vários carinhas que se acham no direito de fazer algum comentário sexista ao visualizar uma foto sensual.
cupcaKke também exibe invejável dom de relacionar o conflito homens e mulheres por meio de… desenhos. Vide “Cartoons” (produzida por Turreekk), entoada sob uma pegajosa percussão cristalina:
‘Se eu ver quilates como Pernalonga
Eu sou Batman, robbin ‘pelo dinheiro
Tire as roupas dela e deixe de pés descalços como Flinstones
Faça um Tom e Jerry inteiro para casa
Eu sou um lanche para atrair Scooby Doo’s Dê um pau de Smurf, com bolas azuis
Eu não procuro negros fodas, então foda-se Waldo
Vadia, sou arrogante como Johnny Bravo’
cupcakKe nas paradas?
Ephorize é um passo bem mais ousado que o antecessor Queen Elizabitch (2017), que falava sobre a indústria de entretenimento.
Ela confronta o machismo ao enaltecer seus prazeres individuais. E, ao mesmo tempo, se mostra uma cantora versátil para interligar beats pesados às suas letras necessárias – vide a impactante “Cinnamon Toast Crunch”.
Será que o hype tem espaço para cupcaKke? Creio – e torço – para que sim!
Ouça Ephorize no player abaixo:
Leia também: A postura feminina e musical de Missy Elliott em Da Real World (1999)
