
Grupo de Portland (EUA) foi pensado para ficar nos estúdios, mas já está em turnê com Yuck e Portugal The Man
Gravadora: Fat Possum/True Panther
[rating:4]
A primeira impressão que se tem ao ouvir o álbum homônimo do Unknown Mortal Orchestra é de estarmos ambientados mais uma vez nos anos 60, como muitos grupos vêm fazendo atualmente. A primeira faixa “Ffunny Ffrends” é um acid rock, só que movido pela lisergia da atualidade, mesmo em sua estética. Seria algo como uma mistura dos Cults com os primeiros trabalhos solo de Paul McCartney.
Unknown Mortal Orchestra faz um diálogo interessante entre os primeiros discos de Paul McCartney com um Jefferson Airplane menos letárgico mais uma espécie de Funkadelic mais ameno
O grupo de Portland (Oregon, EUA) foi pensado primordialmente como um projeto de estúdio por Ruban Neilson, vocalista e responsável pelos riffs intrigantes que vão buscar conforto lá no funk, dando um gingado Prince a composições que poderiam ter sido feitas para o Jefferson Airplane. Mas o sucesso e a aceitação do som foi tão positiva, que eles já estão em turnê com o Yuck (revelação deste ano pautada pelo rock dos anos 90) e Portugal The Man.
Lo-fi também pode ser bem encaixado em Unknown Mortal Orchestra, algo bem evidente em “Little Blu House”. Nela, há riffs esvoaçantes e Ruban alia seu falsete com efeitos synths não tão limpos, mas que são bem acompanhados pelos curtos solos de guitarra.
Ainda que se fale de acid rock, os slaps típicos de um Funkadelic num dia ameno de domingo (?!?) aparecem em “Strangers Are Strange”, canção que até daria para uma dança animada num pique-nique com os amigos. “Jello and Juggernauts” poderia muito bem ser tocada ao violão, ainda que fosse impossível dar crueza à voz ecoada de Ruban.
“How Can U Luv Me?” bota lenha em um rock psicodélico com freak-funk pontuado pelo excelente solo de baixo de Jake Portrait, que às vezes se destaca ainda mais que Ruban. De fato, interessante no UMO é a dinâmica criativamente estabelecida dos instrumentos de corda, brincando com o funk, arriscando esquetes no blues e até mesmo partindo para o punk rock, como “Nerve Damage”, uma das mais esquisitas e esquizofrênicas de todo o álbum.
Por mais que todas essas referências apareçam, o Unknown Mortal Orchestra conseguiu condensá-las muito bem a seu favor. Não há nada de tão experimental ou inovador assim. A dinâmica do funk com a pungência roqueira e as possibilidades vocais do lo-fi fazem do grupo uma experiência atual e inimitável. Talvez a grande pena é o disco inteiro ter menos de 30 minutos. Nem dá tempo de cansar de ouvir ou mesmo de dançar…
Ouça abaixo o álbum na íntegra:
Melhores Faixas: “Ffunny Ffrends”, “How Can U Luv Me?”, “Nerve Damage”, “Strangers Are Strange”.
